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terça-feira, 16 de abril de 2019

Dica: Conselho Regional de Química de São Paulo promove Seminário de Resíduos de Agrotóxicos em Fitoterápicos


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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Abrolhos o primeiro Parque Nacional Marinho do Brasil celebra o seu 36º aniversário


Imagem ilustrativa: Abrolhos. Divulgação: Ministério do Meio Ambiente

Tópico 01494

O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, um dos mais preciosos tesouros naturais do país, completou 36 anos de criação no dia 6 de abril, mas as comemorações vão durar todo o mês. 

No dia do aniversário, a direção do parque promoveu o Programa Comunidade em Abrolhos, com uma visita de moradores nativos ao arquipélago que fica a cerca de 70 km da costa. No dia 11, houve reunião do conselho gestor e uma tarde de homenagens a pessoas que contribuem, de alguma forma, para a boa gestão da unidade de conservação.

De 17 a 25 de abril, os gestores do parque realizarão o projeto Abrolhos 360º, com o oceanário itinerante passando pelas várias comunidades de Caravelas e a exibição de vídeos em realidade virtual sobre o parque.

No dia 20, está programado o espetáculo Contos e Encantos do Mar, no distrito de Ponta de Areia, também em Caravelas, juntamente com atrações musicais. Mas, segundo a direção do parque, as atividades não ficam por aí: haverá ainda neste mês outras visitas da comunidade ao arquipélago, concurso de fotografias nas redes sociais e oficinas.


Reconhecimento

A equipe do parque, chefiada pelo analista ambiental Fernando Repinaldo, postou mensagem nas redes sociais, agradecendo o apoio que sempre recebeu de moradores, servidores e parceiros. “Proteger a maior biodiversidade marinha do Brasil promovendo ao público a visitação e realização de atividades didáticas e científicas num ambiente único no mundo é uma tarefa que exige grande dedicação e colaboração de muitos, por isso no mês de abril, comemoramos não só a criação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, o primeiro deste tipo no Brasil, mas também todos os serviços prestados e gerados para a sociedade. Mais que comemorar, gostaríamos de agradecer imensamente a todos que dedicaram e ainda dedicam sua missão de vida e profissional em prol da conservação de Abrolhos, assim como àqueles que nutrem esperança e amor por dias ainda melhores ao parque nacional”, concluiu.


O Parque

Primeiro Parque Nacional Marinho criado no Brasil, Abrolhos representa um marco para a conservação no país. Desde então, os cerca de 87.943 hectares da unidade ajudam a proteger a região com a maior biodiversidade do Atlântico Sul.

Sob a administração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o parque possui dois polígonos: um que protege o arco de recifes costeiros entre Alcobaça e Prado, abrangendo o Recife de Timbebas; e outro a cerca de 50 km da costa, que engloba o arquipélago dos Abrolhos, composto pelas ilhas Redonda, Siriba, Sueste, Guarita e Santa Bárbara e o Parcel dos Abrolhos, contendo um complexo de milhares de chapeirões, estruturas recifais únicas encontradas somente na região.

O arquipélago dos Abrolhos causou curiosidade a Charles Darwin, que o visitou em 1832. Além de resguardar porção significativa do maior banco de corais e da maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul, o parque protege o principal berçário das baleias-jubarte, que migram para o banco dos Abrolhos para ter seus filhotes.

É também a única região do planeta onde é possível encontrar o coral Mussismilia braziliensis, conhecido por coral-cérebro por seu aspecto peculiar. Espécies de tartarugas-marinhas ameaçadas de extinção, como as tartarugas-de-couro, cabeçuda, verde e de pente, também se refugiam nos limites da unidade, além de aves marinhas como a grazina do bico vermelho, os atobás branco e marrom, as fragatas, beneditos entre outros, incluindo pequenas aves migratórias do Hemisfério Norte.

Um levantamento da biodiversidade da região registrou aproximadamente 1.300 espécies, 45 delas consideradas ameaçadas, segundo listas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) e do MMA. Por isso mesmo, o local é considerado um dos melhores do Brasil para atividades de mergulho.

Dados de monitoramento pesqueiro mostram que a pesca nas regiões vizinhas ao parque movimenta mais de R$ 100 milhões por ano, o que representa 10% da receita da atividade no Brasil. A unidade assegura a procriação das espécies contribuindo para a manutenção da pesca nas regiões vizinhas, que é o meio de subsistência para cerca de 20 mil pessoas na região.

O turismo é outra expressão da importância econômica da unidade. O fluxo de visitantes gerado pelo parque garante centenas de empregos em hotéis, pousadas, restaurantes e demais atividades ligadas ao setor.

Segundo dados do Prodetur, o turismo representa 20% do PIB dos municípios da Costa das Baleias, zona turística correspondente ao litoral do extremo sul da Bahia. Pesquisas da Bahiatursa apontam que mais de 90% dos turistas que visitam a região tem como motivação principal os atrativos naturais.

As águas claras de temperatura amena, naufrágios e a rica fauna marinha fazem do parque dos Abrolhos o atrativo natural mais importante da Costa das Baleias.




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sexta-feira, 5 de abril de 2019

FAPESP: Cerrado conectou os Andes com a Mata Atlântica


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01493

As florestas tropicais dos Andes e a Mata Atlântica estão separadas por quase mil quilômetros de áreas mais secas e de vegetação aberta, nos biomas Chaco, Cerrado e Caatinga. Apesar de atualmente não terem conexão, essas florestas tropicais compartilham espécies e linhagens intimamente relacionadas, o que sugere ter havido uma ligação entre essas matas no passado. Há, por exemplo, 23 espécies de aves tropicais presentes nos dois biomas.

Diversos estudos publicados reforçam tal hipótese. O que ainda não se sabia era se a ligação se dava por meio das florestas de galeria que, no passado, acompanhavam os cursos dos rios na região do Chaco (que abrange o sul da Bolívia, o norte da Argentina e o Paraguai), ou pelo Cerrado (parte da Bolívia, Centro-Oeste do Brasil e norte do Paraguai).

De acordo com uma nova pesquisa, que analisou dados genômicos e biogeográficos de aves das espécies Syndactyla rufosupercilita e Syndactyla dimidiata, a conexão entre as florestas andina e atlântica no passado ocorreu pelo Cerrado. A ligação teria se formado diversas vezes durante o Pleistoceno, período geológico ocorrida entre 2,5 milhões e 11,7 mil anos atrás.

A investigação foi conduzida pelo ornitólogo Gustavo Cabanne, do Museo Argentino de Ciencias Naturales, em colaboração com Cristina Yumi Miyaki, professora no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP). Os resultados foram publicados na revista Molecular Phylogenetics and Evolution.

A equipe teve apoio da FAPESP, por meio do Programa FAPESP de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA), do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet), na Argentina, e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Participaram pesquisadores de diversas instituições no Brasil (Universidade Federal de Minas Gerais, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Universidade de Brasília e Museu Paraense Emílio Goeldi), Bolívia (Universidad Mayor de San Andrés e Museo Nacional de Historia Natural), Estados Unidos (American Museum of Natural History e Cornell University) e Canadá (Royal Ontario Museum).

A biogeografia é a ciência que estuda as relações entre os seres vivos, a geografia, o relevo e o clima. A paleobiogeografia parte dessas mesmas relações para entender, por exemplo, como era a distribuição das espécies no passado e as relações existentes entre elas. Entender a paleobiogeografia de diversas espécies que habitam áreas específicas no presente pode ajudar a inferir como era a distribuição desses biomas no passado.

"O grande desafio dos estudos de biogeografia é integrar e interpretar as informações obtidas de diversas fontes, como componentes biológicos, dados genômicos das espécies analisadas, informações geológicas, dados paleoclimáticos, dados palinológicos [de pólen e esporos] ou dados de sensoriamento remoto obtidos a partir de imagens de satélite", disse Miyaki.

"Foi preciso coletar e analisar vários desses dados a fim de investigar a hipótese da existência de uma antiga conexão entre as florestas tropicais andina e atlântica e testar se isso ocorreu via Cerrado ou via Chaco. Pode ter sido por meio de florestas de galeria que, no Pleistoceno, seriam remanescentes de vegetação úmida que atravessam biomas mais áridos”, disse.

De acordo com Cabanne, a conexão entre as florestas úmidas andina e atlântica é apoiada por estudos palinológicos, entre outros, segundo os quais ambas se expandiram transitoriamente em algumas regiões (por exemplo, no Cerrado) em direção aos Andes durante os últimos máximos glaciais – os períodos mais frios das diversas idades do gelo (foram identificadas ao menos 11 delas) que ocorreram nos últimos 2,5 milhões de anos.

"Sob esse cenário biogeográfico histórico, as florestas andina e atlântica poderiam ter funcionado como refúgios. Sua história dinâmica [ciclos de conexão e isolamento] poderia ter sido um importante impulsionador da especiação nos neotrópicos [região que compreende a América Central, incluindo parte do México e dos Estados Unidos, todas as ilhas do Caribe e a América do Sul]”, disse.

No presente período interglacial, explica Cabanne, esses biomas florestais representam refúgios onde se espera que organismos se diferenciem. Durante as idades do gelo do Pleistoceno, as florestas teriam sido conectadas, permitindo, assim, o fluxo gênico entre as regiões.


Genética e análise computacional

No trabalho publicado na revista Molecular Phylogenetics and Evolution, os pesquisadores elegeram como objeto de estudo uma ave popularmente conhecida como trepador-quiete (Syndactyla rufosuperciliata). Trata-se de um passarinho (ordem Passeriformes) da família dos furnariídeos, a mesma do joão-de-barro (Furnarius rufus) e de outras 230 espécies encontradas na Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. Existem cinco subespécies reconhecidas desse táxon.

"O trepador-quiete é um modelo apropriado para explorar a conexão das florestas andina e atlântica porque a espécie habita tanto os principais domínios dessas matas como as áreas que poderiam ter sido diretamente envolvidas na sua ligação: as florestas de galeria do Chaco oriental e algumas regiões no sul do Cerrado", disse Cabanne.

Os pesquisadores exploraram a conectividade histórica entre os dois biomas por meio de modelagem de nicho. A seguir, eles usaram sequências de DNA de 71 indivíduos e análises genômicas de outros 33 pássaros para avaliar a estrutura genética da população e o fluxo gênico dentro da espécie. Por fim, foi realizada a seleção do modelo populacional com auxílio de computação bayesiana aproximada, método de inferência com base em estatísticas sumárias.

Segundo os pesquisadores, a análise genômica evidenciou que os trepadores-quiete habitantes das florestas tropicais andinas pertencem hoje a linhagens diferentes daquelas dos trepadores-quiete da Mata Atlântica. Mas nem sempre foi assim.

No passado, há centenas de milhares de anos, a distribuição original da espécie parece ter sido muito maior do que a atual, e também suas linhagens eram menos diferenciadas do ponto de vista genômico.

Porém, com a sucessão de períodos glaciais e o avanço e recuo da vegetação de Cerrado, os passarinhos andinos e atlânticos foram ficando isolados uns dos outros por dezenas de milhares de anos, o que levou à diversificação em duas linhagens.

Os dados sugerem inclusive que, durante os períodos interglaciais do Pleistoceno, quando a temperatura se elevou e houve avanço das florestas úmidas, ocorreram novos contatos entre trepadores-quiete do leste e do oeste, o que permitiu cruzamentos e novas trocas genéticas entre as duas linhagens.

Aliada aos dados paleoclimáticos, a análise da diversidade genômica dos trepadores-quiete andinos e atlânticos sugere que tais trocas gênicas ocorreram via Cerrado, ao norte, e não via Chaco, mais para o sul.

Nossos resultados indicam que as florestas andina e atlântica atuaram como refúgios e que as populações das espécies de ambas as regiões entraram em contato por meio da região do Cerrado, sugerindo que a dinâmica histórica desses dois biomas é importante para a evolução das aves florestais”, disse Cabanne.

"Os resultados estão de acordo com estudos de outros organismos e podem indicar um padrão mais geral de conectividade entre os biomas nos neotrópicos”, disse Miyaki.

Além disso, segundo Cabanne, "o novo estudo e outros anteriores do mesmo grupo sugerem a existência de altos níveis de diversidade críptica [de espécies morfologicamente semelhantes e geneticamente distintas] entre os Andes e a Mata Atlântica e também sugerem considerar a população andina de trepadores-quiete como uma espécie plena”.



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quarta-feira, 27 de março de 2019

Pigmento produzido por bactérias aquáticas combate o câncer de próstata


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01492

Os oncologistas enfrentam um dilema ao diagnosticar um paciente com câncer de próstata em estágio inicial. As duas opções terapêuticas para esses casos – a cirurgia de remoção do tumor e a radioterapia – atingem toda a próstata e podem causar sérios efeitos colaterais, como disfunção erétil e incontinência urinária.

Um novo método para o tratamento de tumores de próstata em estágio inicial, desenvolvido no Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, poderá oferecer aos médicos uma alternativa às terapias convencionais, reduzindo o risco de danos desnecessários aos pacientes. A nova técnica, não invasiva, usa uma droga fotossensibilizante e uma fonte de luz para atacar especificamente os tumores prostáticos, sem danificar tecidos saudáveis e o trato urinário.

Um dos criadores do novo tratamento, Avigdor Scherz, professor do Instituto Weizmann de Ciências, veio ao Brasil para participar como palestrante da São Paulo School of Advanced Science on Modern Topics in Biophotonics.

Apoiado pela FAPESP, na modalidade Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), o evento é realizado até sexta-feira (29/03) no Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP). O encontro reúne estudantes de pós-graduação e jovens pesquisadores do Brasil e do exterior com o objetivo de discutir tópicos avançados na área de biofotônica, que usa tecnologias baseadas na manipulação de fótons, ou seja, a luz, para aplicações biológicas.

Combinamos princípios e ideias da natureza com a fotônica para desenvolver um novo tratamento contra o câncer de próstata, que destrói de forma restrita o tecido cancerígeno sem prejudicar o saudável”, disse Scherz durante sua palestra.

O novo método, chamado terapia fotodinâmica vascular dirigida (VTP, na sigla em inglês), consiste na infusão intravenosa por 10 minutos de uma droga à base de um pigmento sensível à luz obtido da clorofila produzida por bactérias aquáticas fotossintetizantes – que captam energia da luz solar.

Denominada bacterioclorofila, a droga sintetizada a partir dessa substância é ativada pela exposição ao laser infravermelho durante 22 minutos, por meio de fibras ópticas finas inseridas no local do tumor com a ajuda de ultrassonografia.

A ativação da droga no tecido doente por meio do laser provoca uma reação em cadeia e gera moléculas altamente reativas, que fecham os vasos sanguíneos responsáveis por alimentar os tumores, impedindo que recebam oxigênio. Dessa forma, os tumores são destruídos entre 16 e 24 horas após o procedimento, enquanto as estruturas e as funções de tecidos sadios permanecem intactas.

A combinação da droga fotossensibilizante com a exposição ao laser no interior dos vasos sanguíneos provoca a geração simultânea de radicais de óxido nítrico e de oxigênio. Isso leva a um rápido colapso da vascularização do tecido tumoral”, explicou Scherz.

Os pacientes submetidos ao tratamento são liberados poucas horas após o procedimento, que tem duração aproximada de 90 minutos e é feito em apenas uma sessão. O fármaco permanece na circulação sanguínea por um período de três a quatro horas.

A fim de avaliar a eficácia e a segurança do novo método foram feitos testes clínicos com 413 pacientes, em 47 hospitais de 10 países europeus e em centros médicos no Canadá, México e em Israel.

Os resultados dos ensaios clínicos feitos na Europa, publicados em 2016 em The Lancet Oncology, mostraram que 49% dos pacientes entraram em remissão completa. Apenas 6% tiveram de retirar a próstata, em comparação com 30% entre os que não foram submetidos ao tratamento. Os efeitos secundários foram semelhantes aos de uma biópsia convencional.

A terapia já foi aprovada em Israel e no México e está sob avaliação da agência europeia de medicamentos (EMA) e da agência regulatória de fármacos dos Estados Unidos – a Food and Drugs Administration (FDA) –, além da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil.

O desenvolvimento do novo tratamento resultou em 15 patentes, que deram suporte para a transferência de tecnologia e o estabelecimento de diversas pequenas empresas de base tecnológica (startups) em Israel. Uma delas é a Steba Biotech, que desenvolveu o software, o equipamento de laser e as fibras ópticas. “O processo de avaliação desse novo tratamento no FDA está em estágio avançado”, disse Scherz.


Imunidade antitumoral

Os pesquisadores pretendem testar em modelos animais a terapia fotodinâmica contra o câncer de próstata em estágios mais avançados, bem como avaliar se a modulação do sistema imunológico durante o tratamento melhora a eficácia e a segurança do novo método. Ou, até mesmo, se pode ajudar a desenvolver imunidade antitumoral.

De acordo com Scherz, essa nova abordagem mostrou resultados promissores em estudos com animais e poderá ser usada para o tratamento de câncer de próstata em estágio inicial e nos casos mais avançados, além de outros tipos de tumores, como o de pâncreas, e na degeneração macular pela idade.

Como as árvores, com suas folhas, a natureza se desfaz de órgãos com mau funcionamento por meio da geração simultânea de óxido nítrico e de radicais de oxigênio. É assim também com o método que desenvolvemos. Queremos usar o mesmo princípio para tratar os tumores malignos e outras doenças", afirmou Scherz.

O tratamento inovador é resultado de 20 anos de pesquisa do químico Scherz com o botânico Yoram Salomon, também professor do Instituto Weizmann de Ciências, que faleceu em 2017.

No início dos anos 1990, os dois cientistas começaram a estudar a fotossíntese e constataram que alguns tipos de clorofila desempenham papéis fundamentais como coletores de luz e conversores de energia.

Com base nessa observação, eles deduziram que as interações entre clorofilas de bactérias fotossintéticas e a luz dentro dos tecidos desses animais poderiam fornecer novas oportunidades para o tratamento e o diagnóstico do câncer e outras patologias.

Após testes com mais de 200 moléculas, os pesquisadores chegaram a derivados de bacterioclorofila com maior estabilidade, solubilidade em água e melhor capacidade para uso farmacêutico. Em testes iniciais com animais, eles constataram que a iluminação de tumores com laser logo após a injeção intravenosa resultava em uma taxa de cura muito alta.




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sexta-feira, 22 de março de 2019

Programa Produtor de Água levará ações de conservação de água à bacia do rio Descoberto


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01491

O Dia Mundial da Água acontece nesta sexta-feira, 22 de março. Nesta data, tanto o Distrito Federal quanto Goiás terão um grande motivo para celebrar, devido à assinatura do Acordo de Cooperação Técnica que cria o Programa Produtor de Água no Descoberto. A solenidade acontecerá foi realizada na parte superior da barragem do rio Descoberto, que é responsável pelo abastecimento de 60% da população do DF. Esta iniciativa promoverá ações de conservação da água e do solo em propriedades rurais do Alto Descoberto, região de cabeceira do principal manancial do DF.

Durante a solenidade de assinatura, estavam presentes os diretores da Agência Nacional de Águas (ANA) – Christianne Dias, Marcelo Cruz, Ney Maranhão, Oscar Cordeiro e Ricardo Andrade –; o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha; o governador de Goiás, Ronaldo Caiado; e representantes das demais instituições, que participarão do Programa Produtor de Água no Descoberto. O Programa terá vigência até 2024.

O Produtor de Água no Descoberto busca estimular o uso racional da água na bacia do Alto Descoberto e incentivar a atividade rural sustentável nesta região, que é estratégica para o principal reservatório do Distrito Federal por estar a montante (acima) dele e por possuir cursos d’água que deságuam na barragem. Assim o que acontece no Alto Descoberto acaba refletindo sobre a população que consome a água do manancial, como as populações das cidades-satélites de Águas Claras, Ceilândia, Samambaia e Taguatinga. A cidade de Águas Lindas de Goiás também poderá ser beneficiada, já que existem planos para que o Descoberto passe a abastecê-la.

Por se tratar de uma ação de pagamento por serviços ambientais (PSA), o Produtor de Água no Descoberto pagará para produtores rurais do Alto Descoberto que aderirem à iniciativa proporcionalmente às ações de conservação de água e solo implementadas, como cercamento de nascentes, plantio de matas ciliares, adequação de estradas rurais, terraceamento, saneamento rural, entre outras ações que permitem o aumento da qualidade e da quantidade da água na região, o que acaba se refletindo no reservatório.

Os recursos serão provenientes dos aportes técnicos e financeiros das instituições que, ao assinarem o Acordo, se comprometem em atuar para a recuperação hídrica e ambiental do Alto Descoberto. Está em andamento a elaboração de um projeto básico para recuperação hidroambiental da bacia, que vai determinar as ações de conservação de água e solo necessárias para a região e os custos destas intervenções.

Com as medidas de conservação de água e solo, a bacia do Descoberto terá uma melhoria na infiltração de água no solo. Assim, durante o período seco, esta água infiltrada contribuirá para o aumento da vazão das nascentes dos afluentes e do próprio rio Descoberto. Com isso, o reservatório poderá se manter em níveis mais seguros devido ao melhor aproveitamento das chuvas.

A bacia do Descoberto enfrenta diversos desafios ambientais, como: processos erosivos generalizados, impermeabilização do solo nas áreas urbanas, desmatamentos, invasões das margens dos recursos hídricos por atividades agrícolas e expansão desordenada do município de Águas Lindas (GO) e especulação imobiliária.

Outro fator levado em consideração para a realização do Produtor de Água no Descoberto foi a crise hídrica que aconteceu no DF entre 2016 e 2017, sendo que o reservatório atingiu seu menor volume útil em 7 de novembro de 2017: 5,3%. Atualmente, o volume é de 100% e a barragem vem vertendo desde o último dia 10 de fevereiro segundo dados da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (ADASA).

Desde 2012, o DF já conta com o Produtor de Água no Pipiripau, desenvolvendo ações de conservação de água e solo em propriedades rurais da bacia do ribeirão Pipiripau, responsável pelo abastecimento de aproximadamente 180 mil habitantes das cidades-satélites de Planaltina e Sobradinho. Antes do projeto, a região era marcada por conflitos pelo uso da água devido à baixa disponibilidade hídrica, mas esta realidade que vem mudando. Nem mesmo durante a recente crise hídrica do Distrito Federal houve conflitos pelo uso da água no Pipiripau, que foi ampliado em 15 de março com a contratação de mais 10 produtores rurais.


O Programa Produtor de Água

Criado em 2001, o foco do Produtor de Água é o estímulo à política de pagamento por serviços ambientais (PSA), que recompensa os produtores rurais por ações de conservação de água e solo. Com o objetivo de proteger os recursos hídricos no Brasil, a ANA apoia projetos que visam à redução da erosão e do assoreamento de mananciais no meio rural, melhorando a qualidade e a oferta de água.


Agência Nacional de Águas (ANA)

A ANA apoia 76 projetos pelo Brasil, beneficiando mais de 38 milhões de pessoas das regiões metropolitanas de Brasília (DF), Campo Grande (MS), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Palmas (TO), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Todo o apoio técnico necessário é oferecido aos mais de 2.300 produtores participantes pela equipe de especialistas da Agência e de outras instituições parceiras. As iniciativas já recuperaram uma área superior a 47 mil hectares, que receberam um total de R$ 200 milhões em investimentos, sendo R$ 40 milhões da ANA e R$ 160 milhões dos demais parceiros.

Em 6 de março de 2013, o projeto Conservador das Águas, primeira ação do Produtor de Água desenvolvida em Extrema (MG), recebeu o Prêmio Internacional de Dubai para Boas Práticas em Dubai, Emirados Árabes Unidos. A premiação é oferecida desde 1995 pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e pela prefeitura da cidade árabe.


Instituições parceiras

Agência Nacional de Águas (ANA); Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Distrito Federal (SEMA); Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (ADASA); Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB); Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (SEAGRI); Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (EMATER/DF); Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (IBRAM); Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (SEMAD); Saneamento de Goiás S/A (SANEAGO); Município de Águas Lindas de Goiás; Município de Padre Bernardo (GO); Departamento de Estradas e Rodagem do Distrito Federal (DER/DF); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA); Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA); Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (SUDECO); Associação de Agricultura Ecológica (AGE); Associação dos Produtores e Protetores da Bacia do Rio Descoberto (Pró-Descoberto); Centro Internacional de Água e Transdisciplinariedade (CIRAT); The Nature Conservancy do Brasil” (TNC); e WWF-Brasil.


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quinta-feira, 21 de março de 2019

Beach clubs terão de pagar R$ 20 mil por temporada pelos danos ambientais causados em Jurerê Internacional


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01490

A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu em parte os recursos especiais de cinco locatárias e da administradora dos beach clubs de Jurerê Internacional e diminuiu – em R$ 20 mil para cada, por ano de exploração da área – a indenização pelos danos ambientais causados pelos empreendimentos.

Em ação civil pública ajuizada em fevereiro de 2008, a Associação de Proprietários e Moradores de Jurerê Internacional (Ajin) pediu a interdição dos chamados postos de praia (beach clubs), situados na faixa de areia e na orla marítima da praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis, além da demolição de toda e qualquer edificação destituída de licenciamento situada em áreas de uso comum do povo.

O juízo de primeiro grau acolheu a ação e determinou a demolição de todas as construções, inclusive os cinco postos de praia e todos os acessórios agregados a essas estruturas. Pelo dano ambiental à Área de Proteção Permanente (APP), condenou as responsáveis pelos empreendimentos a pagar R$ 100 mil por temporada em que permaneceram no local.

Em relação à administradora de todo o espaço, decidiu que, por ela já estar no local há 20 anos, deveria pagar a soma do total das cinco locatárias – R$ 500 mil por ano – por 20 anos, ou seja, o montante de R$ 10 milhões.


Ajuste de conduta

Em apelação, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) retomou o que foi definido em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado em ação civil pública anterior e homologado judicialmente em fevereiro de 2006. A ação questionava os danos causados pela exploração da mesma área.

Pelo princípio da segurança jurídica, o TRF4 concluiu que as estruturas existentes à época do TAC poderiam ser mantidas, mas que as acrescidas deveriam ser retiradas, uma vez que o termo seria claro acerca da vedação à instalação de qualquer nova construção ou mesmo estrutura provisória.

O tribunal manteve o valor da indenização estabelecido em primeiro grau, determinando que, para as locatárias, o termo inicial para o pagamento seria a data da homologação do TAC.


Indenização

O relator dos recursos no STJ, ministro Sérgio Kukina, acolheu os pedidos das locatárias e da administradora para rever os valores de indenização do dano ambiental, uma vez que o espaço principal usado pelos empreendimentos ficou preservado pela decisão do TRF4.

Partindo-se da premissa de que o acórdão recorrido concluiu pela necessidade de demolição apenas parcial dos empreendimentos envolvidos na lesão ao meio ambiente, tenho por necessário, em harmonia com as diretrizes da proporcionalidade e da razoabilidade, que se reduza para R$ 20 mil por cada ano/temporada de ocupação ilícita o montante a ser observado nas indenizações impostas em desfavor dos réus locatários/inquilinos”, disse.

Em relação à administradora, além de reduzir o valor para R$ 20 mil por ano, o ministro também acolheu o recurso para determinar que, da mesma forma como ficou definido para as locatárias, o termo inicial da indenização fosse a data da homologação do TAC.


Fundo de recuperação

Sobre a verba indenizatória arbitrada, o TRF4 determinou que 80% seriam destinados a um fundo de defesa dos direitos difusos, para a reconstituição do bem lesado, e 20% para a associação autora da ação civil pública.

No entanto, segundo o ministro Kukina, “todo o montante indenizatório estipulado nesta demanda deverá ser revertido para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, nos termos do artigo 13 da Lei 7.347/1985”.

Ao todo, foram interpostos dez recursos especiais no STJ: seis das locatárias e da administradora dos beach clubs, e quatro contrários à continuidade dessas atividades na região, esses últimos interpostos pela União, Ministério Público Federal, Ibama e Ajin.

Em relação a esses quatro recursos, o relator entendeu que seus pedidos de reforma das conclusões do TRF4, em especial sobre os efeitos do TAC, exigiriam o reexame de matéria fática e interpretação das cláusulas do próprio termo de ajuste, o que é vedado em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 STJ.




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sexta-feira, 1 de março de 2019

Dica: Nova edição do Jurisprudência em Teses do STJ aborda responsabilidade por dano ambiental


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01489

A Secretaria de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) divulgou a edição 119 de Jurisprudência em Teses, com o tema Responsabilidade por Dano Ambiental. Foram destacadas duas teses.

A primeira tese estabelece que quem desmata, ocupa, explora ou impede a regeneração de Área de Preservação Permanente (APP) causa inequívoco dano ecológico, fazendo emergir a obrigação propter rem de restaurar plenamente e de indenizar o meio ambiente degradado e terceiros afetados, sob o regime de responsabilidade civil objetiva.

A segunda define que não há direito adquirido à manutenção de situação que gere prejuízo ao meio ambiente.


Conheça a ferramenta

Lançada em maio de 2014, a ferramenta Jurisprudência em Teses apresenta diversos entendimentos do STJ sobre temas específicos, escolhidos de acordo com sua relevância no âmbito jurídico.

Cada edição reúne teses identificadas pela Secretaria de Jurisprudência após cuidadosa pesquisa nos precedentes do tribunal. Abaixo de cada uma delas, o usuário pode conferir os precedentes mais recentes sobre o tema, selecionados até a data especificada no documento.



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