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domingo, 12 de março de 2017

Alerta: Doença emergente que se alastra pelo Brasil e afeta os gatos pode atingir humanos


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01369

Há uma doença emergente que se alastra pelo Brasil, mas da qual pouco se tem falado, a não ser no Rio de Janeiro. O gato é a maior vítima do problema, uma micose causadora de lesões sérias e potencialmente fatais quando não tratadas em tempo hábil.

A doença se chama esporotricose e é causada por um fungo que vive naturalmente no solo, o Sporothrix sp.. No Brasil, Sporothrix brasiliensis é o agente etiológico mais prevalente, embora S. schenckii também seja encontrado em menor proporção. Por meio de unhadas (o termo técnico é “arranhadura”), os gatos infectados transmitem o fungo a outros felinos, a cães e também a seus donos.

As lesões em humanos e cães geralmente não são tão severas como nos felinos e raramente impõem risco à vida. Mesmo em gatos, que são mais afetados, a doença tem cura, mas o tratamento é caro e demorado. A doença se concentra em animais da periferia e de comunidades carentes, o que dificulta o tratamento devido principalmente ao custo.

No Brasil, a esporotricose humana não é uma doença de notificação compulsória e, por isso, a sua exata prevalência é desconhecida”, disse a veterinária Isabella Dib Gremião, do Laboratório de Pesquisa Clínica em Dermatozoonoses em Animais Domésticos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz (INI/Fiocruz).

Desde julho de 2013, devido ao status hiperendêmico da esporotricose no Rio de Janeiro, a doença se tornou de notificação obrigatória no estado. Apenas no INI/Fiocruz, unidade de referência no Rio de Janeiro, mais de 5 mil casos humanos e 4.703 casos felinos foram diagnosticados até 2015”, disse a pesquisadora.

Apenas naquele ano, segundo dados da Vigilância Sanitária do município do Rio de Janeiro, foram 3.253 casos felinos. Já em 2016, verificou-se um aumento de 400% no número de animais diagnosticados. Ao todo, o órgão fez 13.536 atendimentos no ano passado – seja nos institutos públicos veterinários, em assistência domiciliar ou comunitária. Em pessoas, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro registrou no ano passado 580 casos.

Essas estatísticas se referem apenas aos casos notificados. Os pesquisadores apontam que o nível de subnotificação deve ser grande. Gremião é a primeira autora de um trabalho que acaba de ser publicado na revista PLOS Pathogens sobre a transmissão da esporotricose entre gatos e humanos.

O biólogo Anderson Rodrigues, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), outro dos autores do artigo, estuda a genômica das muitas espécies do gênero Sporothrix (são 51, sendo cinco de relevância médica) para comparar seus DNAs com o do S. brasiliensis, o agente causador da doença emergente no Brasil e de longe a espécie mais virulenta.

Em pesquisa em seu pós-doutorado com Bolsa da FAPESP, Rodrigues descreveu em 2016 uma nova espécie, Sporothrix chilensis, isolada a partir do diagnóstico de um caso humano em Viña del Mar, no Chile.

A análise comparativa dos genomas de Sporothrix permitirá identificar grupos de genes especificamente ligados aos fatores de virulência e mecanismos de sobrevivência durante a infecção”, disse Rodrigues.

Nossa expectativa é ampliar significativamente a compreensão da diversidade genética e resposta fisiológica em Sporothrix, um passo inicial para o desenvolvimento de métodos melhores para controle desses patógenos”, disse.


Transmissão e tratamento

Não se sabe como o Sporothrix brasiliensis começou a infectar os gatos. Até o aumento no número de casos no Rio de Janeiro, a esporotricose era considerada uma doença muito esporádica e ocupacional, lembra Rodrigues.

Ela é conhecida como a “doença dos jardineiros”, pelo fato de os primeiros casos diagnosticados nos Estados Unidos no fim do século 19 terem sido entre plantadores de rosas. O fungo ocorre naturalmente no solo e sobre a superfície de plantas como a roseira. No caso norte-americano, os pacientes se infectaram ao se arranhar em seus espinhos.

O primeiro diagnóstico de esporotricose animal no Brasil é de 1907, entre ratos naturalmente infectados nos esgotos da cidade de São Paulo – os primeiros casos felinos ocorreram nos anos 1950.

A doença tradicionalmente acometia uma a duas pessoas ao ano. Mas em 1998 o total de casos no Rio de Janeiro começou a crescer”, disse o professor Zoilo Pires de Camargo, chefe do Laboratório de Micologia Médica e Molecular da Unifesp e coordenador do Projeto Temático “Biologia Molecular e Proteômica de fungos de interesse médico: Paracoccidioides brasiliensis e Sporothrix schenckii”, conduzido de 2010 a 2016 com apoio da FAPESP, orientador de Rodrigues no seu pós-doutorado.

Do Rio de Janeiro, a doença se espalhou para outras cidades fluminenses, e de lá para outros estados. A recente emergência da esporotricose felina na região metropolitana de São Paulo chama a atenção dos pesquisadores da Unifesp e do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), onde 1.093 casos foram confirmados nos últimos anos.

Já há casos de esporotricose em todo o Sudeste e o Sul do Brasil. Começam também a se manifestar na região Nordeste e no exterior. Em Buenos Aires, em 2015, foram relatados cinco casos humanos positivos.

Apesar de existir outras espécies de fungos do gênero Sporothrix espalhadas pelo mundo e que também provocam a doença, segundo os pesquisadores a epidemia brasileira é única, pelo agente etiológico a atacar felinos, por ter se tornado uma zoonose a partir do momento que os gatos passaram a transmitir o fungo aos humanos e pelo expressivo número de casos.

Nos anais da medicina, o maior surto de esporotricose teria ocorrido nos anos 1940 entre mineiros na África do Sul. A origem da infecção nos 3 mil casos relatados estava no madeiramento de sustentação das galerias das minas, onde havia colônias de Sporothrix. Uma vez identificados os focos, a madeira foi tratada e a epidemia acabou”, disse Camargo.

No Brasil, além da falta de capacidade de fazer diagnósticos em larga escala nas esferas municipal, estadual e nacional, falta acesso a remédios para tratar a doença.

O medicamento de referência é o antifúngico itraconazol, de preço elevado. A cada mês e ao longo de seis meses são necessárias no mínimo quatro caixas: duas para tratar o animal e outras duas para o tutor, caso este esteja doente. Como todo proprietário de gatos sabe, por mais queridos que sejam seus bichanos eles arranham, principalmente em situação de estresse como na hora de dar remédio.

Enquanto não estiver livre do fungo, o gato pode continuar transmitindo o fungo. Após o primeiro ou o segundo mês de tratamento, geralmente as lesões desaparecem, mas o fungo, não. “A interrupção do tratamento antes de seis meses pode levar ao ressurgimento das lesões”, disse Camargo.

Não se conhece a razão pela qual os gatos são tão suscetíveis ao Sporothrix brasiliensis nem porque neles a doença é tão grave. Um gato com lesões pode ter o fungo em suas garras. Ao brigar com outro gato, um cão ou perseguir um rato, ele passa o fungo por meio de arranhaduras.

As arranhaduras nos gatos ocorrem geralmente na cabeça, local mais comum do aparecimento de lesões, mas não o único. O fungo presente nas lesões destrói progressivamente a epiderme, a derme, o colágeno, os músculos e até ossos. Além disso, o fungo pode acometer os órgãos internos, agravando o quadro clínico.

Quando o animal chega a essas condições, é comum ele ser abandonado pelos donos. Vai para a rua e alimenta a cadeia de transmissão. Se o gato morre, ele é enterrado no quintal ou num lixão, que serão contaminados pelo fungo presente no cadáver”, disse Gremião.

Segundo a pesquisadora, além da capacidade de diagnosticar todos os casos e do acesso ao medicamento, o combate ao surto de esporotricose exige que os governos realizem campanhas educativas sobre a guarda responsável do animal.


Leia os artigos;




Artigo Feline sporotrichosis due to Sporothrix brasiliensis: an emerging animal infection in São Paulo, Brazil (doi: 10.1186/s12917-014-0269-5), de Hildebrando Montenegro, Anderson Messias Rodrigues, Maria Adelaide Galvão Dias, Elisabete Aparecida da Silva, Fernanda Bernardi e Zoilo Pires de Camargo.




Veja também;






Fonte: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP.

Tópico elaborado e publicado pelo Gestor Ambiental MARCELO GIL.


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sexta-feira, 10 de março de 2017

Brasil terá três novos Sítios Ramsar


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01368

O Brasil aprovou, junto à Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional, sediada na Suíça, três novas propostas para sítios Ramsar. O Parque Nacional de Anavilhanas (AM), o Parque Nacional do Viruá (RR) e a Estação Ecológica do Taim (RS) serão os novos sítios, aumentando de 13 para 16 o número de áreas reconhecidas pela convenção internacional. A certificação ocorrerá ainda no primeiro semestre de 2017, em data a definir.

A Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional, mais conhecida como Convenção Ramsar, estabelece marcos para ações nacionais e para a cooperação entre países com o objetivo de promover a conservação e o uso racional de áreas úmidas no mundo. Essas ações estão fundamentadas no reconhecimento, pelos países, da importância ecológica e do valor social, econômico, cultural, científico e recreativo de tais áreas.

Para o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, o Brasil tem todo o interesse em aumentar ainda mais o número de sítios Ramsar. O MMA está desenvolvendo uma estratégia de implementação da Convenção de Ramsar e dos Sítios Ramsar no Brasil, que deverá orientar o cumprimento dos compromissos assumidos pelo país, ou seja, a conservação e o uso racional das áreas úmidas. O documento será elaborado em colaboração com o Comitê Nacional de Zonas Úmidas e com os gestores dos Sítios Ramsar.


Ecossistemas

O presidente do ICMBio, Ricardo Soavinski, considera as áreas úmidas muito importantes pela sua biodiversidade e, sobretudo, pelos importantíssimos serviços dos ecossistemas que elas prestam. “As unidades de conservação são a melhor forma de conservar os ecossistemas e prestar esses serviços à sociedade, e por isso devem ser reconhecidas e prestigiadas”, ressalta.

Segundo Soavinski, o reconhecimento de uma convenção internacional, como a de Ramsar, agora também para os Parques Nacionais de Anavilhanas e Viruá e para a Estação Ecológica do Taim, valoriza os esforços feitos pelo Brasil e promove interações internacionais de aprendizado que permitem a melhoria da gestão feita pelo ICMBio.

Desde sua adesão à Convenção, em 1996, o Brasil promoveu a inclusão de 16 UCs à Lista de Ramsar, o que permite a obtenção de apoio internacional para o desenvolvimento de pesquisas, o acesso a fundos internacionais para o financiamento de projetos e a criação de um cenário favorável à cooperação internacional. Em contrapartida, o Brasil assume o compromisso de manter as características ecológicas dos sítios – os elementos da biodiversidade e os processos que os mantêm – e deve atribuir prioridade para sua consolidação diante de outras áreas protegidas, conforme, inclusive, previsto no Plano Estratégico Nacional de Áreas Protegidas.


Novos Sítios 

Os novos sítios Ramsar estão em áreas úmidas da região amazônica e no litoral sul do país. Saiba mais sobre eles:

Parque Nacional de Anavilhanas

O Parque Nacional de Anavilhanas, arquipélago fluvial localizado no Mosaico de Unidades de Conservação do Baixo Rio Negro, no estado do Amazonas, está inserido no Corredor Central da Amazônia pelo Projeto Corredores Ecológicos. O parque é Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera pela Unesco, além de ser umas das 16 unidades de conservação (UCs) federais consideradas prioritárias para estruturação da visitação por parte do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

De grande beleza cênica, o Parque Nacional de Anavilhanas apresenta formações florestais diversas, como floresta ombrófila densa, igapó, campina e campinarana, caatinga-gapó e chavascal, além de ecossistemas fluviais e lacustres. A parte fluvial do parque, com mais de 400 ilhas, aproximadamente 130 km de extensão e em média 20 km de largura, representa 60% da unidade, enquanto a porção de terra firme representa 40%. Cerca de 70 lagos desenham a paisagem com formatos elípticos alongados.


Parque Nacional Viruá

O Parque Nacional Viruá, no estado de Roraima, é a unidade de conservação com a maior riqueza de espécies de vertebrados registradas no Brasil (mais de 1,2 mil espécies), com populações de 119 espécies de mamíferos, 531 espécies de aves, 71 espécies de répteis, 47 espécies de anfíbios e 500 espécies de peixes. A diversidade da flora está estimada em mais de 4 mil espécies. Em 2014, foi a unidade de conservação da Amazônia mais pesquisada e a terceira na taxa anual de recebimento de turistas.

O parque realiza programas de combate ao incêndio, monitoramento da biodiversidade, ecoturismo de base comunitária, controle da caça de tartaruga no rio Amazonas, além de campanhas e programas educativos.


Estação Ecológica de Taim

Na Estação Ecológica de Taim, no Rio Grande do Sul, destacam-se praias, falésias, sistema de banhados e áreas alagadas. É uma das zonas mais ricas em aves aquáticas da América do Sul, contando com espécies residentes, nidificantes e invernantes das zonas mais meridionais e limícolas do neártico.

Por ser um dos remanescentes deste tipo de ecossistema, tem grande valor como patrimônio genético e paisagístico. O banhado do Taim possui uma função muito importante para a manutenção do equilíbrio ecológico da região, como a produção de alimento, a conservação da biodiversidade, a contenção de enchentes e o controle da poluição. Os processos mais importantes nesse ecossistema são a geração de solo, a produção vegetal e a estocagem de nutrientes, água e biodiversidade.





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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Dica: Superior Tribunal de Justiça elimina consumo de copos plásticos descartáveis


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01367

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai substituir os copos descartáveis de plástico por copos de vidro para uso de seus colaboradores. Além de economizar recursos públicos, a iniciativa pretende diminuir a quantidade de resíduos sólidos produzidos pelo tribunal.

Segundo a Assessoria de Gestão Socioambiental (AGS), o STJ disponibilizará copos de vidro para água. Para o consumo de café, os servidores devem trazer suas próprias canecas ou xícaras. Os copos descartáveis continuarão sendo oferecidos apenas em áreas de circulação de visitantes e usuários externos dos serviços do STJ.

Dados da AGS indicam que o tribunal consumiu em 2015 cerca de 4,4 milhões de copos descartáveis, o equivalente a dez toneladas. Em 2016, essa quantidade chegou a aproximadamente 3,6 milhões de unidades – uma redução superior a 17%.

De acordo com a AGS, o dinheiro gasto com copos descartáveis no período de quatro meses é suficiente para comprar 5 mil copos de vidro, que são itens duráveis e reutilizáveis.




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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Dados do BIOTA embasam norma para restauração ambiental no Estado de São Paulo


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01366

Com base em dados científicos produzidos no âmbito do Programa BIOTA-FAPESP, a Secretaria de Meio Ambiente (SMA) do Estado de São Paulo publicou, em 18 de janeiro, a Resolução SMA Nº 7. Este é o 17º instrumento legal, entre leis, decretos e resoluções, que cita nominalmente o Programa.

A norma estabelece critérios para a “compensação ambiental de áreas objeto de pedido de autorização para supressão de vegetação nativa, corte de árvores isoladas e para intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs)” – regulamentando, no Estado de São Paulo, as diretrizes nacionais estabelecidas pela Lei de Proteção da Vegetação Nativa, denominada popularmente de Novo Código Florestal (Lei Nº 12.651, de 2012), e pela Lei da Mata Atlântica (Lei Nº 11.428, de 2006), além de legislações estaduais anteriores.

Os parâmetros da norma foram estabelecidos levando em conta os mapas “Áreas prioritárias para incremento da conectividade” e “Áreas prioritárias para restauração da vegetação nativa”, que fazem parte do livro “Diretrizes para Conservação e Restauração da Biodiversidade no Estado de São Paulo”.

A obra é resultado de um projeto apoiado pela FAPESP iniciado em 1999, que envolveu cerca de 200 pesquisadores de várias disciplinas e resultou num banco de dados com o inventário e a caracterização da biodiversidade do Estado de São Paulo, definindo os mecanismos para a sua conservação e restauração.

De acordo com a SMA, as compensações ambientais regradas pela nova resolução não poderão ser implantadas fora do Estado de São Paulo. “É uma estratégia para direcionar as compensações e restaurações florestais para áreas em que o estado identificou serem mais prioritárias no que diz respeito à segurança hídrica, biodiversidade e conectividade", informou o órgão por meio de sua assessoria de imprensa.

A resolução da SMA vem atender a uma demanda do novo Código Florestal, segundo o qual cada estado deveria implantar seu próprio Programa de Regularização Ambiental (PRA) para APPs, reservas legais (RL) e áreas de uso restrito (UR), definindo regras e procedimentos que os proprietários deverão seguir, por meio de decretos e instruções normativas.

Quando o novo Código Florestal foi aprovado, alguns procedimentos ficaram para ser regulamentados nos estados. Uma das questões em aberto era referente aos critérios que deveriam ser adotados para a compensação ambiental”, contou Ricardo Ribeiro Rodrigues, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP) e ex-coordenador do BIOTA.

A lei federal estabeleceu que todo imóvel rural deve manter uma determinada área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal. O porcentual pode variar de 20% a 80%, dependendo da região do país. A compensação ambiental pode ser necessária, por exemplo, para repor a RL quando ela já foi suprimida no passado ou quando o proprietário solicita aos órgãos ambientais autorização para a supressão de vegetação nativa (isolada ou não) em APP (Resolução SMA 7 de 18/1/2017).

A compensação ambiental também pode ser necessária quando obras de interesse público, como a construção de estradas ou usinas, dependerem de supressão de vegetação nativa ou de qualquer tipo de intervenção em APPs.

É comum em São Paulo, por exemplo, produtores de cana arrendarem terras antes usadas como pasto na pecuária, mas as árvores isoladas mantidas para sombreamento do gado atrapalham a mecanização da colheita. Nesse caso, eles precisam solicitar aos órgãos ambientais autorização para o corte dessas árvores isoladas, muitas vezes nas APPs, e são obrigados a fazer a compensação ambiental. Mas até agora nem técnicos, nem juízes ou promotores tinham uma regra clara sobre como deveria ser essa compensação. É uma demanda antiga que a resolução vem felizmente atender”, contou Rodrigues.


Regras definidas

O Programa de Regularização Ambiental (PRA) do Estado de São Paulo foi promulgado pelo governador Geraldo Alckmin em janeiro de 2016 e a Resolução SMA Nº 7 estabelece os critérios pelos quais ele deverá funcionar.

As regras da resolução são muito bem feitas e levam em consideração o grau de conservação da vegetação nativa que será suprimida e direciona as compensações para as áreas indicadas pelos mapas como de alta prioridade para conservação. Assim sendo, determina se a compensação que deverá ser feita será de 1,2 a 6 vezes maior que a área a ser desmatada. Nunca será inferior”, contou Rodrigues.

A compensação exigida pode chegar a ser 6 vezes maior nos casos que a vegetação suprimida encontra-se em “estágio médio de regeneração” e está classificada na categoria “Muito Alta Prioridade” no mapa “Áreas prioritárias para restauração da vegetação nativa”.

Já o corte de árvores isoladas pode exigir compensações que variam de 10 para 1 a 30 para 1, dependendo da localização e das espécies atingidas no corte. Por último, as compensações exigidas como contrapartida de intervenções em APPs podem variar de 1,2 a 2 vezes a área afetada, dependendo do local e do tipo de vegetação envolvidos.

Como explicou Carlos Alfredo Joly, professor do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atual coordenador do BIOTA, a regulamentação é fruto de longas negociações entre membros da coordenação do Programa da FAPESP e representantes da SMA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos e da Casa Civil.

A meta da comunidade científica, ainda segundo Joly, era criar condições para que as compensações ambientais pela vegetação suprimida em São Paulo fossem feitas dentro do próprio estado. O Código Florestal determina apenas que a compensação seja feita dentro do mesmo bioma.

Isso significa que, de acordo com o Código Florestal, um proprietário de terras em área de Mata Atlântica no Estado de São Paulo poderia compensar o corte da vegetação em áreas de Mata Atlântica no Nordeste ou no Mato Grosso, onde a terra é mais barata. Mas para São Paulo isso seria um desastre porque os serviços ambientais que aquela vegetação nativa nos presta – entre eles a proteção dos recursos hídricos, a manutenção da biodiversidade e das populações de polinizadores – seriam perdidos aqui”, comentou Joly.

Segundo Rodrigues, a nova resolução determina exatamente onde deverão ser feitas as compensações ambientais do Estado de São Paulo, dando prioridade para mananciais e áreas de vulnerabilidade de aquíferos. Considera ainda as áreas relevantes para manutenção e recuperação da conectividade entre fragmentos florestais visando à conservação da biodiversidade.

Não vamos conseguir preservar a água que está faltando em São Paulo restaurando floresta em Pernambuco, por exemplo. Essa resolução vai contribuir com um planejamento ambiental e agrícola do estado. Possibilita uma compensação inteligente e que realmente gere um efeito positivo, uma melhoria das paisagens, interligando os fragmentos existentes e ainda protegendo os recursos hídricos, o que está diretamente ligado com o provimento de serviços ambientais pela vegetação nativa, como polinização de culturas agrícolas, proteção de solo e água”, disse Rodrigues.

Políticas Públicas

O conhecimento científico sobre a biodiversidade do Estado de São Paulo gerado no âmbito do Programa BIOTA-FAPESP já ajudou a embasar, ao todo, seis decretos estaduais e 11 resoluções de órgãos vinculados ao governo estadual.

Entre eles há medidas voltadas a reduzir os impactos ambientais causados pelo setor de mineração, auxiliar o zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro e subsidiar ações de planejamento, fiscalização e recuperação da biodiversidade pela SMA.

Esta nova resolução recentemente publicada é mais um fruto do esforço que o BIOTA vem fazendo já há alguns anos no sentido de usar o conhecimento científico para sustentar políticas públicas. O BIOTA teve um investimento grande de recursos da FAPESP para caracterização da biodiversidade em todos os seus níveis e tentamos justificar o uso do dinheiro público gerando conhecimentos que beneficiem a toda a sociedade”, disse o professor da Esalq-USP.

Na avaliação do presidente da FAPESP, José Goldemberg, tal situação demonstra “maturidade do poder público no Estado de São Paulo. Os formuladores de políticas públicas estão cientes de que a ciência não é algo que os cientistas fazem apenas para sua própria diversão e sim tem consequências práticas muito importantes. Vale a pena prestar atenção no que os cientistas dizem”, afirmou.




Veja também;






Fonte: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Tópico elaborado e publicado pelo Gestor Ambiental Marcelo Gil.


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

FAPESP e Finep apoiarão pesquisas para superar os desafios tecnológicos na agropecuária


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01365

A FAPESP e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciam o lançamento de uma chamada de propostas de pesquisas voltada ao setor agropecuário. O objetivo é apoiar o desenvolvimento de aplicativos com a finalidade de inovar procedimentos para aumento da produtividade e da eficiência do setor.

As propostas serão recebidas até 20 de abril de 2017.

Os desafios e temas da chamada de proposta foram propostos pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Entre os desafios tecnológicos listados pela chamada estão manejo integrado de pragas e de doenças; previsão de falhas e densidade de plantio em culturas; previsão de safra; determinação de perdas por causas infecciosas em rebanhos. previsão de consumo animal e relação com desempenho (inclusive para peixes); levantamento das feições erosivas por meio da análise de imagens de satélites; e gestão financeira da propriedade.

Outros temas de interesse são “Campo Sustentável – agricultura em harmonia com o meio ambiente”, “Atenção ao pequeno agricultor e agricultura familiar” e “São Paulo como centro da produção do conhecimento”.

A seleção pública dá continuidade à colaboração entre a FAPESP e a Finep e apoiará projetos de pesquisa de empresas paulistas, por meio da concessão de recursos do Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (PAPPE), do MCTI/FINEP/FNDCT, e de recursos orçamentários da FAPESP.

Serão apoiados projetos de desenvolvimento industrial e comercial de produtos ou serviços inovadores resultantes de pesquisas anteriores apoiadas pelo programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) Fases 1 e 2; ou que não tenham participado de fases anteriores do Programa PIPE; ou resultantes de recursos próprios da empresa ou de outras fontes.

Os recursos alocados para financiamento da chamada são da ordem de R$ 15 milhões, sendo 50% com recursos da Finep e 50% com recursos da FAPESP. Esses recursos podem não ser inteiramente executados em razão da análise de mérito das propostas apresentadas.

No mínimo 40% dos recursos alocados serão disponibilizados para empresas com faturamento até R$ 4,8 milhões. A chamada está aberta a microempresas, empresas de pequeno porte, pequenas empresas e médias empresas brasileiras, sediadas no Estado de São Paulo e constituídas, no mínimo, doze meses antes ao lançamento do edital.

A seleção dos temas

De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, a proximidade com o produtor rural do Estado de São Paulo permitiu, por meio dos institutos de pesquisa vinculados à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Coordenadoria de Defesa Agropecuária e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, o levantamento das demandas, baseadas nas necessidades reais dos produtores.

Para o secretário Arnaldo Jardim, o desenvolvimento de aplicativos voltados às questões propostas pode auxiliar e agilizar as tomadas de decisão por parte do produtor rural, seja na produção propriamente dita, seja na gestão e comercialização de seus produtos.

Na gestão da propriedade é onde temos as maiores deficiências dos nossos produtores. Apesar da evolução da agropecuária e da vanguarda do Brasil na área, muitas vezes os produtores rurais não veem suas propriedades como negócio, como uma empresa. A ideia é que esses aplicativos subsidiem o agricultor com informações importantes para o planejamento e crescimento de seu negócio”, diz.

Segundo Jardim, as informações geradas pelos aplicativos e a finalidade de gestão de alguns deles poderão melhorar e agilizar as tomadas de decisão no campo, resultando no aumento da produtividade e melhora de renda.

No caso da previsão de safra, por exemplo, já existe software capaz de estimar a safra citrícola por meio de imagens via satélite. É possível fazer isso para outras culturas, como cana-de-açúcar, por exemplo. Também é possível levar essa tecnologia para identificar questões sanitárias nas lavouras, facilitando o manejo e o trato cultural”, afirma o secretário, lembrando que já existem no mercado, por exemplo, aplicativos que ajudam o pecuarista a escolher os melhores suplementos para a criação de bovinos, analisando o custo benefício dos produtos.

"Isso, sem dúvida, é uma ferramenta que auxilia os pequenos, médios e grandes produtores de gado. O mesmo pode ocorrer para todas as culturas agrícolas. A chamada abre um leque de possibilidades e de fomento a tecnologias que, com certeza, ajudarão na assistência técnica ao produtor”, finaliza.

A expectativa também é que sejam desenvolvidos aplicativos que facilitem a utilização de técnicas sustentáveis no campo e que ajudem o agricultor familiar a melhorar o desenvolvimento de sua propriedade.




Veja também;






Fonte: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Tópico elaborado e publicado pelo Gestor Ambiental Marcelo Gil.


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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Presidente do STJ, ministra Laurita Vaz, participa de plantio de árvores no Bosque dos Tribunais


Na foto a ministra Laurita Vaz, plantando uma árvore nativa do
cerrado no Bosque dos Tribunais. Divulgação: STJ.

Tópico 01364

A presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz, participou nesta quarta-feira (8) da solenidade de plantio de 700 mudas de árvores no Parque Bosque dos Tribunais. O evento faz parte de iniciativas relacionadas ao termo de cooperação técnica em questões socioambientais assinado pelos tribunais superiores em 2016.

O Parque Bosque dos Tribunais compõe área de 588 mil metros quadrados, divididos em cinco glebas distintas e adjacentes aos tribunais superiores. O plantio aconteceu em uma das áreas de responsabilidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Das 700 novas mudas, 600 foram doadas pela Novacap e 100 pela OAB-DF. Todas as árvores são nativas do cerrado, como pequizeiros, angicos, landins e pombeiros.

Além da ministra Laurita Vaz, participaram da cerimônia o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg; o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes; o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra Martins Filho; e a vice-presidente da OAB-DF, Daniela Teixeira. Cada um plantou uma muda.

É com muita satisfação que vejo o engajamento dos nossos vizinhos – o TSE e o TST –  na gestão compartilhada desta área tão nobre que, afinal de contas, é adjacente à Praça dos Três Poderes e tem grande potencial de uso pela população de Brasília”, disse a presidente do STJ.


Ciclovia e praça

Laurita Vaz também agradeceu o apoio do Governo do Distrito Federal e da OAB-DF e aproveitou a oportunidade para fazer um apelo ao governador para implementar infraestrutura na região.

Ainda precisamos de auxílio para a implementação das melhorias necessárias, como, por exemplo, a pista de caminhada e o projeto de expansão da malha cicloviária, tão necessária para os inúmeros servidores que já vêm trabalhar de bicicleta, mesmo com trechos ainda sem calçadas, como é o caso da via que passa ao lado da embaixada dos Estados Unidos”, disse a presidente.

O ministro Ives Gandra solicitou, ainda, que o governo faça a troca da placa da Praça dos Tribunais, localizada no Setor de Autarquias Sul, para a área onde hoje estão localizados os tribunais superiores.

Segundo o ministro, seria mais adequado que a área recebesse o título de Praça dos Tribunais, pois, além das sedes do STJ, TSE e TST se encontrarem ali, também já está prevista a mudança da sede do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (em construção) e do Superior Tribunal Militar.

Rodrigo Rollemberg disse ver com muita simpatia essas solicitações e se comprometeu a fazer a mudança da Praça dos Tribunais. Ele recebeu (e assinou) um ofício com a solicitação da expansão da malha cicloviária e do aumento da frota de bicicletas públicas na região.

A ministra do STJ Regina Helena Costa também prestigiou o evento.




Veja também;








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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Prefeitura de Guarujá adere ao Programa Cidades Sustentáveis


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01363

A Prefeitura de Guarujá-SP aderiu neste mês de janeiro, ao Programa Cidades Sustentáveis. O chefe do Executivo assinou a carta-compromisso, confirmando o engajamento do Município com o desenvolvimento sustentável nas dimensões social, ambiental e ética.

Com a adesão, a Administração Municipal se compromete a elaborar um diagnóstico do Município a partir dos indicadores do Programa Cidades Sustentáveis, além de um plano de metas para os quatro anos de gestão. Para mobilizar e organizar os levantamentos envolvendo os diversos setores, a Prefeitura conta com uma equipe composta por representantes das secretarias de Coordenação Governamental e Planejamento e Gestão. 

A sustentabilidade é uma construção coletiva, onde cada agente tem o seu papel e sua responsabilidade. Ainda é necessária uma mudança de costume”, afirmou o diretor de Monitoramento e Avaliação de Gestão da Prefeitura.

As cidades têm à sua disposição um espaço virtual no portal do programa para apresentar o diagnóstico do Município, o plano de metas e divulgar as boas práticas.

Este observatório cumpre uma dupla função: é fonte de informação e engajamento, gestão e tomada de decisão da Administração Pública, assim como transparência, acompanhamento e fiscalização para toda a sociedade.

Entre os indicadores em destaque estão Ação Local para Saúde; Bens Naturais Comuns; Consumo Responsável e Opção de Estilo de Vida; Cultura para Sustentabilidade; Do local para o Global; Economia Local, Dinâmica, Criativa e Sustentável; Educação para Sustentabilidade e Qualidade de Vida; Equidade, Justiça Social e Cultura de Paz; Gestão Local para Sustentabilidade; Governança; Melhor Mobilidade, Menos Trafego e Planejamento e Desenho Urbano.

O primeiro encontro das prefeituras signatárias do programa (gestão 2017/2020) acontece no dia 15 de fevereiro, em São Paulo.




Veja também;






Fonte: Prefeitura Municipal de Guarujá-SP.

Tópico elaborado e publicado pelo Gestor Ambiental Marcelo Gil.


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