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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Pesquisadores afirmam que manejo de água no Brasil é crítico


Imagem meramente ilustrativa


A gestão de recursos hídricos no Brasil representa um problema crítico, devido à falta de mecanismos, tecnologias e, sobretudo, de recursos humanos suficientes para gerir de forma adequada as bacias hidrográficas do país. A avaliação foi feita por pesquisadores participantes do “Seminário sobre Recursos Hídricos e Agricultura”, realizado no dia 2 de outubro, na FAPESP.

O evento integrou as atividades do 58º Prêmio Fundação Bunge e do 34º Prêmio Fundação Bunge Juventude que, neste ano, contemplaram as áreas de Recursos Hídricos e Agricultura e Crítica Literária. Na área de Recursos Hídricos e Agricultura os prêmios foram outorgados, respectivamente, aos professores Klaus Reichardt, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), da Universidade de São Paulo (USP), e Samuel Beskow, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

“O Brasil tem problemas de gestão de recursos hídricos porque não há mecanismos, instrumentos, tecnologias e, acima de tudo, recursos humanos suficientemente treinados e com bagagem interdisciplinar para enfrentar e solucionar os problemas de manejo da água”, disse José Galizia Tundisi, pesquisador do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), convidado a participar do evento.

“É preciso gerar métodos, conceitos e mecanismos aplicáveis às condições do país”, avaliou o pesquisador, que atualmente dirige o programa mundial de formação de gestores de recursos hídricos da Rede Global de Academias de Ciências (IAP, na sigla em inglês) – instituição que representa mais de cem academias de ciências no mundo.

De acordo com Tundisi, as bacias hidrográficas foram adotadas como unidades prioritárias de gerenciamento do uso da água pela Política Nacional de Recursos Hídricos, sancionada em 1997. Todas as bacias hidrográficas do país, contudo, carecem de instrumentos que possibilitem uma gestão adequada, apontou o pesquisador.

“É muito difícil encontrar um comitê de bacia hidrográfica [colegiado composto por representantes da sociedade civil e responsável pela gestão de recursos hídricos de uma determinada bacia] que esteja totalmente instrumentalizado em termos de técnicas e de programas para melhorar o desempenho do gerenciamento de uso da água”, afirmou.


Modelagem hidrológica

Segundo Tundisi, alguns dos instrumentos que podem facilitar a gestão e a tomada de decisões em relação ao manejo da água de bacias hidrográficas brasileiras são modelos computacionais de simulação do comportamento de bacias hidrográficas, como o desenvolvido por Beskow, professor do Departamento de Engenharia Hídrica da UFPel, ganhador da atual edição do Prêmio Fundação Bunge Juventude na área de Recursos Hídricos e Agricultura.

Batizado de Lavras Simulation of Hidrology (Lash), o modelo hidrológico foi desenvolvido por Beskow durante seu doutorado, realizado na Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, com um período na Purdue University, dos Estados Unidos.

“Há vários modelos hidrológicos desenvolvidos em diferentes partes do mundo – especialmente nos Estados Unidos e Europa –, que são ferramentas valiosíssimas para gestão e tomada de decisões relacionadas a bacias hidrográficas”, disse Beskow.

“Esses modelos hidrológicos são úteis tanto para projetar estruturas hidráulicas – pontes ou reservatórios –, como para fazer previsões em tempo real de cheias e enchentes, como para medir os impactos de ações do tipo desmatamento ou mudanças no uso do solo de áreas no entorno de bacias hidrográficas”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, a primeira versão do Lash foi concluída em 2009 e aplicada em pesquisas sobre modelagem de chuva e vazão de água para avaliação do potencial de geração de energia elétrica em bacias hidrográficas de porte pequeno, como a do Ribeirão Jaguará, em Minas Gerais, que possui 32 quilômetros quadrados.

Em razão dos resultados animadores obtidos, o pesquisador começou a desenvolver, a partir de 2011, a segunda versão do modelo de simulação hidrológica, que pretende disponibilizar para os gestores de bacias hidrográficas de diferentes dimensões.

“O modelo conta agora com um banco de dados por meio do qual os usuários conseguem importar e armazenar dados de chuva, temperatura e umidade e uso do solo, entre outros parâmetros, gerados em diferentes estações da rede de monitoramento de uma determinada bacia geográfica e, que permitem realizar a gestão de recursos hídricos”, contou.

Uma das principais motivações para o desenvolvimento de modelos e de simulação hidrológica no Brasil, segundo o pesquisador, é a falta de dados fluviométricos (de medição de níveis de água, velocidade e vazão nos rios) das bacias hidrológicas existentes no país.

É baixo o número de estações fluviométricas cadastradas no Sistema de Informações Hidrológicas (HidroWeb), operado pela Agência Nacional de Águas (ANA), e muitas delas estão fora de operação, afirmou Beskow.

“Existem pouco mais de cem estações fluviométricas no Rio Grande do Sul cadastradas nesse sistema, que nos permitem obter dados de séries temporais de até dez anos, esse número de estações é muito baixo para fazer a gestão de recursos hídricos de um estado como o Rio Grande do Sul”, disse o pesquisador.


Uso racional da água

Beskow e Klaus Reichardt – que também é professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) – destacaram a necessidade de desenvolver tecnologias para usar a água de maneira cada vez mais racional na agricultura, uma vez que o setor consome a maior parte da água doce prontamente disponível no mundo hoje.

Do total de 70% da água encontrada na Terra, 97,5% é salgada e 2,5% é doce. Desse percentual ínfimo de água doce, no entanto, 69% estão estocados em geleiras e neves eternas, 29,8% em aquíferos e 0,9% em reservatórios. Do 0,3% prontamente disponível, 65% são utilizados pela agricultura, 22% pelas indústrias, 7% para consumo humano e 6% são perdidos, ressaltou Reichardt.

“No Brasil, temos a Amazônia e o aquífero Guarani que poderão ser explorados”, afirmou o pesquisador que teve projetos apoiados pela FAPESP.

Reichardt ganhou o prêmio por sua contribuição em Física de Solos ao estudar e desenvolver formas de calcular o movimento de água em solos arenosos ou argilosos, entre outros, que apresentam variações. “Isso foi aplicado em vários tipos de solo com condutividade hidráulica saturada em função da umidade, por exemplo”, contou.

O pesquisador vem se dedicando nos últimos anos a realizar, em colaboração com colegas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tomografia computadorizada para medida de água no solo. “Por meio dessa técnica conseguimos desvendar fenômenos muito interessantes que ocorrem no solo”, disse Reichardt.


Custo da inanição

O evento contou com a presença de Eduardo Moacyr Krieger e Carlos Henrique de Brito Cruz, respectivamente vice-presidente e diretor científico da FAPESP; Jacques Marcovitch, presidente da Fundação Bunge; Ardaillon Simões, presidente da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), e José Antônio Frizzone, professor da Esalq, entre outras autoridades.

Em seu pronunciamento, Krieger apontou que a Fundação Bunge e a FAPESP têm muitas características em comum. “Ao premiar anualmente os melhores pesquisadores em determinadas áreas, a Fundação Bunge revela seu cuidado com o mérito científico e a qualidade das pesquisas, a FAPESP, de certa forma, também faz isso ao ‘premiar’ os pesquisadores por meio de bolsas, auxílios e outras modalidades de apoio, levando em conta a qualidade da pesquisa realizada”, disse Krieger.

Brito Cruz ressaltou que o prêmio concedido pela Fundação Bunge ajuda a criar no Brasil a possibilidade de pesquisadores se destacarem na sociedade brasileira por sua capacidade e realizações intelectuais.

“Isso é essencial para se construir um país que seja dono de seu destino, capaz de criar seu futuro e enfrentar novos desafios de qualquer natureza, um país só consegue avançar tendo pessoas com capacidade intelectual para entender os problemas e criar soluções para resolvê-los”. disse Brito Cruz.

Por sua vez, Marcovitch avaliou que o problema da gestão do uso da água no país pode ser enfrentado de duas formas. A primeira parte da premissa de que o país está deitado em berço esplêndido, tem recursos naturais abundantes e, portanto, não precisaria se preocupar com o problema. A segunda alerta para as consequências da inação em relação à necessidade de se fazer gestão adequada dos recursos hídricos do país, como Tundisi vem fazendo, para estimular pesquisadores como Beskow e Reichardt a encontrar respostas.

“Nós, pesquisadores, temos a responsabilidade de elevar a consciência da sociedade sobre os riscos e o custo da inação em relação à gestão dos recursos hídricos do país”, disse.


Fonte: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.



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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Superior Tribunal de Justiça é referência de responsabilidade socioambiental


Imagem meramente ilustrativa


Primeiro tribunal superior a integrar o projeto Esplanada Sustentável (PES), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) é uma referência em ações e iniciativas de responsabilidade socioambiental entre os poderes da República.

O Programa de Responsabilidade Socioambiental do STJ foi criado em 2008 para sensibilizar servidores, estagiários, prestadores de serviços e cidadãos em geral quanto à responsabilidade socioambiental de cada um.

Desde então, o programa promove ações sociais com entidades voluntárias, eventos culturais, campanhas solidárias em benefício de comunidades carentes e práticas de inclusão social.

O programa incluiu o combate a todas as formas de desperdício dos recursos naturais; critérios socioambientais nos investimentos, compras e contratações de serviços; gestões sustentáveis de água, energia e papel; coleta seletiva e reciclagem de materiais, entre outras ações.

A adesão do STJ ao Esplanada Sustentável, programa do governo federal que busca melhor gestão por meio da inclusão da eficiência dos gastos na agenda dos órgãos públicos e da mudança de hábitos e das atitudes dos servidores públicos com a adoção de novas práticas, foi formalizada pelo presidente Felix Fischer com o intuito de aprimorar e disseminar a sustentabilidade no Poder Judiciário.


Bom exemplo

Para a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, o STJ tem um papel importante como indutor de soluções inovadoras para o equilíbrio social e o consumo consciente. “Os resultados apresentados pelo STJ mudam a visão distorcida de que o serviço púbico é marcado pelo desperdício”, ressalta a ministra.

Os resultados obtidos pelo STJ são animadores. Os vários programas realizados pelo Tribunal já reduziram consideravelmente o gasto de papel, água, energia e materiais de consumo em geral.

Nos últimos cinco anos, o consumo de papel caiu de 39 mil para 19 mil resmas e o STJ deixou de utilizar mais de 27 mil garrafas pet. Somente no ano passado, seu programa de coleta seletiva de materiais possibilitou a reciclagem de 1.400 quilos de isopor, 7.800 quilos de plástico, mais de 42 mil quilos de papel e a descontaminação de 91 quilos de pilhas e baterias.

Nos últimos 15 anos, o programa de conservação de energia adotado pelo Tribunal gerou economia de 7,5 milhões de kilowatts-hora, equivalente ao consumo mensal de uma cidade com cem mil habitantes.


Inclusão digital

No último mês de setembro, o STJ formou sua primeira turma do programa de inclusão digital, voltado para o aperfeiçoamento das atividades desempenhadas por colaboradores internos e externos. Idealizado pelo Programa de Responsabilidade Socioambiental, a iniciativa oferece aos colaboradores a oportunidade de conhecer o mundo da informática de maneira simples e didática.

A premissa do programa é que o conhecimento aumenta a autoestima, valoriza o cidadão e favorece a integração funcional. No STJ, disseminar conhecimento é um ato de cidadania.

Segundo a ministra Miriam Belchior, a preocupação do Tribunal com a inclusão digital do seu quadro funcional é uma iniciativa que também deve servir de exemplo para a administração pública.


Fonte: Superior Tribunal de Justiça.



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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

EXCLUSIVO - Dra. Alessandra Galli recebeu a “Condecoração Benemérita Per Ambiens", por sua atuação na área ambiental


Imagem de divulgação da ATINA



No dia 28 de setembro de 2013, na cidade de Lima, Perú, durante o 1º Congresso Iberoamericano de Direito e Gestão Ambiental, e do 6º Congresso Internacional de Meio Ambiente e Direito Ambiental ATINA – 2013 promovido pela Academia Transdisciplinaria Internacional del Ambiente - ATINA a Dra. Alessandra Galli, recebeu a “Condecoração Benemérita Per Ambiens", prêmio conferido pelo "reconhecimento por seu notável trabalho de advogada ambientalista, docente universitária e Diretora Acadêmica da Academia Paranaense de Direito Ambiental/APDA”.

Na oportunidade a Dra. Alessandra realizou palestra sobre “O Sistema de Avaliação de Impacto Ambiental e os Danos Socioambientais Causados pela Atividade da Mineração – Caso Adrianópolis – Brasil”.

Ao ser questionada em entrevista exclusiva ao blog Gestão Ambiental, sobre a importância deste prêmio tão significativo, a Dra. Alessandra Galli assim se pronunciou:

“Com alegria recebi esta condecoração internacional. Ela representa um reconhecimento por mais de dez anos de trabalho, estudos e dedicação às questões socioambientais. Cada título galgado – Especialista, Mestre e agora Doutora - traz em si a certeza da incompletude. A sobriedade para reconhecer que sempre podemos aprender mais, aliada ao respeito a todas as formas de vida, são os exemplos que procuro dar aos meus alunos enquanto professora de renomadas instituições às quais estou afiliada, como o Centro Universitário Curitiba (UNICURITIBA) e a Escola da Magistratura do Paraná (EMAP).

Os anos de trabalho como Diretora Acadêmica da Academia Paranaense de Direito Ambiental(APDA) foram também de muito aprendizado e superações. Na APDA, com o esforço comum de diversas pessoas, foi realizado um trabalho significativo de Educação Ambiental aplicada, com eventos direcionados ao público em geral e com especial atenção aos magistrados paranaenses. A APDA deu grande destaque ao Direito Ambiental e aos assuntos correlatos importantes para o cenário local e global. Os temas mais polêmicos foram debatidos e geraram efeitos práticos em prol da sustentabilidade.

Enquanto advogada, tenho plena consciência da minha responsabilidade ao representar milhares de pessoas desvalidas de riqueza e de condições dignas vida, as quais se encontram esquecidas em ambientes degradados e contaminados. Assim, por acreditar que os princípios da Constituição da República de 1988 devem imperar - para que se possa garantir a todos oportunidades, direitos e deveres também - é que continuo meu trabalho com fé, força e coragem.

Para se atingir o tão desejado desenvolvimento sustentável, de forma consciente, pessoas físicas e jurídicas têm conciliado seus interesses pessoais com a proteção ambiental. Com esta nova mentalidade a luta pela cidadania socioambiental plena ganha novos adeptos.

Temos muito trabalho, não estamos sozinhos. Vamos em frente! 

Muito obrigada!"


Nota: O blog Gestão Ambiental parabeniza a Dra. Alessandra Galli por mais esta conquista.




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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Inovação é diferencial para parceria público-privada


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A pesquisa conjunta entre empresas e universidades pode ser um grande diferencial para alavancar a inovação. Essa foi a tônica nas apresentações feitas durante a conferência “Parcerias Brasil-Bélgica: olhares convergentes sobre a inovação”, realizada na terça-feira (01/10), na sede da FAPESP, em São Paulo.

No encontro, foram apresentadas as diversas experiências em pesquisa entre instituições públicas e privadas desenvolvidas na região da Valônia, no sul da Bélgica, e as ações para a internacionalização da inovação na federação Valônia-Bruxelas, que reúne a capital e a comunidade francófona daquele país.

Alguns casos desse tipo de parceria em São Paulo, como a criação dos parques tecnológicos do Estado e de empresas de base tecnológica com forte vínculo com as universidades, também foram expostos, indicando que a parceria público-privada, aliada ao apoio à pesquisa, tem desempenhado papel-chave para a inovação em pequenas empresas também por aqui.

Durante o evento, foi feito o anúncio de um acordo de cooperação entre a FAPESP e a Divisão Operacional Economia, Emprego e Pesquisa da Região Valã (DGOEER, na sigla em francês), uma das principais financiadoras da Bélgica para a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação.

O acordo prevê o apoio à cooperação científica e tecnológica entre pesquisadores de instituições e pequenas empresas da Valônia e de São Paulo, com financiamento de pesquisas conjuntas, sobretudo nas áreas de biotecnologia, saúde, alimentos, tecnologias verdes e desenvolvimento sustentável, logística, mecânica, aeronáutica e aeroespacial.

Este é o terceiro acordo internacional que a FAPESP faz voltado para a pesquisa inovativa em pequenas empresas, para a qual mantém o programa PIPE.

“A FAPESP vê com interesse essa colaboração, por oferecer, por meio dela, oportunidades para pequenas empresas de São Paulo com pequenas empresas da região Valã que se dedicam à pesquisa e desenvolvimento", disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação.


Pesquisa e desenvolvimento

De acordo com o diretor de Programas Federais e Internacionais do Departamento dos Programas de Pesquisa da DGOEER, Baudouin Jambes, futuros projetos conjuntos poderão se beneficiar do financiamento à pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novas tecnologias na região Valã, que tem como característica a forte presença do setor privado.

“Esta proporção é maior que a média da Europa, sobretudo nas áreas farmacêutica e química, mas o crescimento do investimento público em P&D também é superior à média europeia”, afirmou.

Ele observou que esse tipo de investimento é fortemente direcionado para a inovação, feita em grande parte por empresas do tipo spin-off, ou seja, que surgiram a partir de grupos de pesquisa em universidades ou centros de pesquisa voltados para o desenvolvimento de novas tecnologias. No caso da DGOEER, o investimento se concentra nas áreas de TIC, biotecnologia e agroalimentos.

“A Valônia é uma região pequena e com bom financiamento à pesquisa, mas, para a inovação, os acordos internacionais são importantes. A FAPESP reúne todas as qualidades de que precisamos para uma parceria que possa trazer muitos resultados, pois o Brasil é muito grande e São Paulo concentra boa parte da pesquisa feita no país”, disse Jambes à Agência FAPESP.

O diretor da DGOEER tem a expectativa de conseguir fomentar pesquisas conjuntas em várias áreas, a exemplo das que já acontecem no setor aeronáutico. “Temos muitas empresas que fazem pesquisa aeroespacial, e São Paulo, onde está a Embraer, uma das maiores do mundo em aeronáutica, concentra a pesquisa nesse setor”.

Segundo Jambes, atualmente há parcerias entre a Embraer e empresas da região Valã que desenvolvem peças para a indústria aeronáutica, incluindo satélites. “Trabalhamos com a agência espacial europeia, que consome boa parte de nossos investimentos em pesquisa. Já temos grande cooperação com os países europeus, mas parcerias com instituições de outras regiões são imprescindíveis”.


Experiências compartilhadas

Philippe Suinen, diretor-geral das agências Wallonie-Bruxelles Internacional (WBI) e Agence Wallone à l’Exportation (AWEX), falou sobre as fontes de financiamento disponíveis para pesquisas em sua região, como o Plano Marshall, focado em seis eixos de desenvolvimento tecnológico para ampliar os polos de desenvolvimento local, em parceria com outros países.

Suinen apresentou indicadores do sistema de inovação na Valônia, as principais orientações estratégicas em matéria de pesquisa e inovação, o papel das agências de fomento na internacionalização da pesquisa e inovação, bem como os mecanismos disponíveis para a cooperação científica e tecnológica da região Valã com o Brasil.

Do mesmo modo, Paulo Arruda, professor de genética no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da coordenação de Pesquisa para Inovação da FAPESP, falou sobre os programas da Fundação voltados para a pesquisa básica e os programas especiais mantidos pela FAPESP, como o Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (BIOTA), o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

Os programas de pesquisa para a inovação, como o Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e o Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), foram destacados por ele como os mais apropriados para o tipo de acordo feito pelas duas agências de fomento.

Arruda também lembrou o programa Genoma FAPESP, iniciado na década de 1990, que levou à criação da empresa Allelyx, fundada por pesquisadores que trabalharam no sequenciamento do genoma da Xylella fastidiosa, agente patogênico causador da clorose variegada dos citros (CVC), como exemplo de pesquisa para a inovação bem-sucedida.

A troca de conhecimento técnico entre instituições públicas de financiamento à pesquisa, bem como a aplicação de seus resultados por empresas oriundas desses projetos, que igualmente investem no desenvolvimento de novas tecnologias, foram destacadas também por outros palestrantes.

Bruno van Pottelsberghe de la Potterie, diretor da Solvay Business School e da Université Libre de Bruxelles, falou sobre a criação de spin-offs na Comunidade Francesa Valônia-Bruxelas e dos escritórios de transferência de tecnologia na Europa; e Fabienne Hocquet, representante da Science Parks of Wallonia (SPOW), sobre a dinâmica de interação entre indústria, pesquisa, inovação e serviços presente em seis parques tecnológicos da Valônia, que concentram empresas públicas e privadas, das quais 80% trabalham com inovação.

Exemplos brasileiros foram expostos por Alexandre Pacheco da Silva, coordenador executivo do Laboratório de Empresas Nascentes de Tecnologia (LENT) da Escola de Direito de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e por Vanderlei Bagnato, diretor da Agência USP de Inovação.

Eles falaram dos incentivos e gargalos na área da inovação, da criação no Brasil de spin-offs e startups, empresas de base tecnológica ainda em fase inicial, focadas na pesquisa para a inovação, e sobre casos de empresas que surgiram a partir do incentivo à inovação feita, por exemplo, pela Universidade de São Paulo (USP), que estimula a criação de empresas por pesquisadores e alunos.


Suporte institucional

A necessidade de apoio logístico e financeiro também foi destacada durante a conferência. Eduardo Grytz, CEO da Performa Investimentos, um fundo de investimento para a inovação em empresas, descreveu o processo de captação de investidores institucionais para fundos voltados para a inovação na área ambiental.

Foram citados exemplos de investimentos em empresas de base tecnológica que atuam nas áreas de tratamento de resíduos sólidos, energia e eficiência energética, água e efluentes e química verde.

O apoio de investidores em diferentes categorias, aliado ao de instituições públicas, foi apontado como fundamental para o sucesso de projetos de pesquisa voltados para a inovação tecnológica. As condições para isso já estão dadas, de acordo com o ministro da Economia, PME, Comércio Exterior, Novas Tecnologias e Ensino Superior da Região Valã, Jean-Claude Marcourt, que destacou a necessidade da pesquisa para o desenvolvimento e a inovação.

“É inegável a importância da pesquisa em parques tecnológicos, da mudança da tecnologia e sua aplicação. E a combinação desses fatores é estratégica para o crescimento econômico”, afirmou, lembrando que a disposição de universidades e institutos de pesquisa é fundamental não apenas para o desenvolvimento de novas tecnologias, mas também para o compartilhamento desse conhecimento na sociedade.

Fonte: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.



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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pesquisa publicada na revista PLoS One comprova que insetos conseguem prever tempestades e ventanias


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Na Índia e no Japão há um ditado popular que diz que “formigas carregando ovos barranco acima, é a chuva que se aproxima”. Já no Brasil, outro provérbio afirma que “quando aumenta a umidade do ar, cupins e formigas saem de suas tocas para acasalar”.

Um estudo publicado na edição do dia 2 de outubro da revista PLoS One – realizado por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), de Piracicaba (SP), em parceria com colegas da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), de Guarapuava (PR), e da University of Western Ontario, do Canadá – comprovou que os insetos preveem mudanças climáticas e dão indicações disso com modificações no comportamento.

Os pesquisadores observaram que besouros da espécie Diabrotica speciosa – conhecido popularmente como “brasileirinho” ou “patriota”, por terem cor verde e pintas amarelas –, além de pulgões-da-batata (Macrosiphum euphorbiae) e lagartas da pastagem (Pseudaletia unipuncta), têm capacidade de detectar queda na pressão atmosférica – que, na maioria dos casos, é um sinal de chuva iminente. E, ao perceberem isso, modificam o comportamento sexual, diminuindo a disposição de cortejar e acasalar.

“Demonstramos que os insetos, de fato, têm capacidade de detectar mudanças no tempo por meio da queda da pressão atmosférica, de se antecipar e buscar abrigo para se proteger das más condições climáticas, como temporais e ventanias, por exemplo”, disse José Maurício Simões Bento, professor do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP.

“Certamente esses animais estão mais preparados para enfrentar as mudanças repentinas no tempo que, provavelmente, ocorrerão com maior frequência e intensidade no mundo nos próximos anos em razão das mudanças climáticas globais”, avaliou Bento, um dos pesquisadores principais do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Semioquímicos na Agricultura – um dos INCTs financiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Para realizar o estudo, os pesquisadores selecionaram três diferentes espécies de insetos – o besouro “brasileirinho”, o pulgão-da-batata e a lagarta da pastagem –, que pertencem a ordens bem distintas e que variam significativamente em termos de massa corpórea e morfologia.

O besouro “brasileirinho” tem estrutura mais robusta e possui cutícula dura e, por isso, é mais resistente a condições de tempo severas, como chuvas fortes e ventanias. Já o pulgão-da-batata tem estrutura mais frágil e é menos resistente a eventos climáticos extremos.

Como já existiam evidências de que os insetos ajustam seus comportamentos associados com o voo e com a alimentação às mudanças na velocidade dos ventos, os pesquisadores decidiram avaliar o efeito das condições atmosféricas especificamente sobre o comportamento de “namoro” e acasalamento dessas três espécies quando sujeitas a mudanças naturais ou manipuladas experimentalmente da pressão atmosférica.

Os experimentos em condições naturais (sem a manipulação da pressão) e sob condições controladas, em laboratório, revelaram que, ao detectar uma queda brusca na pressão atmosférica, por exemplo, as fêmeas diminuem ou simplesmente deixam de manifestar um comportamento conhecido como “chamamento”, no qual liberam feromônio para atrair machos para o acasalamento.

Os machos, por sua vez, passam a apresentar menor interesse sexual, não respondem aos estímulos das fêmeas e procuram abrigos para se proteger da mudança de tempo capaz de ocorrer nas próximas horas. Passado o mau tempo, os insetos retomam as atividades de cortejo, namoro e acasalamento.

“Esse comportamento de perda momentânea do interesse no acasalamento horas antes de uma tempestade representa uma capacidade adaptativa que, ao mesmo tempo, reduz a probabilidade de lesões e mortes desses animais – uma vez que são organismos diminutos e muito vulneráveis a condições climáticas adversas, como temporais, chuvas pesadas e ventanias – e assegura a reprodução e a perpetuação das espécies”, afirmou Bento.


Experimentos

Os experimentos em condições naturais foram realizados na Esalq e no INCT de Semioquímicos na Agricultura, ambos em Piracicaba. Os pesquisadores utilizaram um olfatômetro com estrutura em Y, colocando uma fêmea em uma das duas extremidades menores e, na outra, um controle (que fica vago). Posteriormente, uma corrente de ar foi passada no interior do sistema, de forma que o feromônio fosse levado para a extremidade principal, onde o macho estava colocado.

Dependendo da direção seguida pelo macho quando a corrente de ar com feromônio era liberada – a extremidade onde estava a fêmea ou a outra, do controle –, era possível avaliar se ele estava sendo atraído ou não pelo feromônio emitido pela fêmea.

Nos experimentos com o besouro “brasileirinho”, os pesquisadores constataram que, sob condições de pressão atmosférica estável ou crescente, o inseto caminhava normalmente em direção ao tubo por onde a corrente de ar com o feromônio da fêmea estava sendo liberado. Já na condição de queda de pressão, o inseto apresentava menor movimentação e interesse em seguir em direção à fêmea.

O grupo também observou que, quando mantido em contato direto com as fêmeas em condição de queda da pressão atmosférica, os machos também não empenharam esforço para acasalar. Tal comportamento, de acordo com Bento, pode ser explicado pela sensação de risco de vida do inseto.

“É como se, diante de uma situação de perigo iminente, esses animais colocassem a questão da sobrevivência em primeiro lugar – porque é o que garante a perpetuação da espécie – e deixassem o acasalamento para um segundo plano, por ser uma atividade que pode ser retomada após a passagem do mau tempo”, avaliou.

Os pesquisadores também avaliaram o número de vezes que o pulgão-da-batata e a lagarta da pastagem atenderam ao “chamamento” das respectivas fêmeas, sob diferentes condições atmosféricas. Os resultados foram semelhantes aos obtidos com o besouro “brasileirinho”.

O comportamento dos insetos estudados foi afetado significativamente por mudanças na pressão do ar, obtida pelos pesquisadores por meio de dados fornecidos de hora em hora pelo site do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Ao perceber que os dados fornecidos pela instituição indicavam uma queda ou aumento brusco da pressão atmosférica da região de Piracicaba, os pesquisadores davam início aos experimentos para verificar se os insetos apresentavam mudanças no comportamento de chamamento e de cópula e faziam as comparações com as condições de pressão estável.

“Conseguimos verificar, dessa forma, que o comportamento sexual dos insetos varia em função do efeito da pressão atmosférica, uma vez que todas as outras condições – como a temperatura, umidade e a luz – foram controladas nos experimentos”, afirmou Bento.

Após constatar essa mudança de comportamento sexual dos insetos em condições naturais, o grupo da Esalq fez uma parceria com colegas canadenses do Departamento de Biologia da University of Western Ontario para realizar novos ensaios comportamentais em laboratório, mais precisamente em uma câmara barométrica de grandes dimensões, que permite controlar a pressão atmosférica, além da temperatura, umidade e luz.

Segundo Bento, os testes conduzidos sob controle de pressão comprovaram as observações feitas em condições naturais.


Fenômeno extensivo

De acordo com o pesquisador, o fato de as três espécies de insetos analisadas no estudo terem modificado o comportamento sexual em resposta às alterações na pressão do ar sugere que o fenômeno pode ser extensivo, de maneira geral, às demais espécies de insetos, e que esses animais são adaptados para enfrentar as más condições meteorológicas.

“Já havia outros trabalhos científicos sugerindo mudanças de comportamento de animais em função das mudanças no tempo, mas foram realizados com uma única espécie, especificamente, e não poderiam ser generalizados para as demais espécies do grupo”, disse Bento.

“Nosso estudo demonstrou que, no caso dos insetos, esse fenômeno parece ser extensivo às outras espécies”, afirmou.

O grupo de pesquisadores da Esalq investiga agora os mecanismos que os insetos utilizam para detectar mudanças na pressão atmosférica e desenvolver o comportamento adaptativo de interromper o acasalamento ao pressentir mudanças no tempo.


Fonte: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.



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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Sustentabilidade poderá ser critério de desempate em licitação


Imagem meramente ilustrativa


Poderá ter preferência em licitação pública produto fabricado de acordo com padrões de sustentabilidade ambiental que leve em consideração avaliação de seu ciclo de vida, desde a obtenção de matérias-primas e insumos, passando pelo processo produtivo, consumo e descarte final. É o que prevê substitutivo do senador Anibal Diniz (PT-AC) ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 252/2013, de Cícero Lucena (PSDB-PB), aprovado nesta terça-feira (1º) pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA).

O texto modifica a Lei de Licitações e Contratos (Lei 8.666/1993), que já prevê preferência, como critérios de desempate, para bens e serviços produzidos no país e produzidos ou prestados por empresas brasileiras, bem como por empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no país.

No texto inicial, Cícero Lucena também propunha alterar a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/1981) para incluir o conceito de avaliação do ciclo de vida do produto e para determinar que esta avaliação norteasse o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental, prevendo ainda regras para rotulagem de produtos danosos ao meio ambiente. Anibal Diniz rejeitou a sugestão por entender que trata de medida já prevista na Lei 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

O relator também não acatou alteração na Lei do Regime Diferenciado de Contratações Públicas (Lei 12.462/2011), proposta pelo autor. Esta lei confere prioridade para produtos, equipamentos e serviços com menor consumo de energia e de recursos naturais, mas Cícero Lucena queria estabelecer que a prioridade ocorresse conforme avaliação do ciclo de vida do produto. Para Anibal Diniz, a medida tornaria mais complexo e demorado o processo de licitação.

No exame da matéria na CMA, Cícero Lucena discordou do relator e defendeu a manutenção do texto original.

"O que estou querendo é estimular, através dos processos de licitação, quem possa contribuir para o meio ambiente", disse Lucena, ao citar como exemplo a redução do consumo de energia nas obras que vierem a ser licitadas.

O projeto segue para votação terminativa da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), quando os aspectos rejeitados no relatório aprovado na CMA poderão ser novamente analisados. 


Fonte: Agência Senado.



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Instalada Subcomissão para acompanhar a Política Nacional de Resíduos Sólidos


Imagem meramente ilustrativa


A Subcomissão Temporária de Resíduos Sólidos foi instalada, no Senado, nesta terça-feira (1º) para acompanhar o andamento da implantação pelas prefeituras das determinações da Política Nacional de Resíduos Sólidos. A lei foi sancionada em 2010 e os municípios têm até 2014 para se adaptarem às normas.

Os senadores Cícero Lucena (PSDB-PB) e Eduardo Amorim (PSC-SE) foram eleitos, respectivamente, presidente e vice-presidente, e o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), relator. A subcomissão funciona no âmbito da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e controle (CMA).

Cícero Lucena observou que o prazo está expirando e muitos municípios não iniciaram a implantação do sistema de tratamento adequado do lixo. A subcomissão, ressaltou o senador, também vai discutir alternativas de financiamento para contribuir com as prefeituras.

"Nós, que criamos a legislação, vamos poder fazer o diagnóstico de como ela está sendo implementada e colaborar para que atinja os seus objetivos", disse Lucena.

O mundo busca exemplos no Brasil, especialmente no que se refere a práticas de sustentabilidade ambiental, observou o senador Eduardo Amorim. Para o vice-presidente da subcomissão, a sociedade brasileira deve compreender que é imprescindível cuidar do lixo, uma vez que os materiais descartáveis podem ser reaproveitados, até mesmo como fonte de energia.

O adequado cumprimento da Política, observou o senador Rollemberg, requer mudança de paradigma, tanto por parte do Estado como pela sociedade. Reaproveitamento dos materiais descartados, consumo sustentável, inclusão dos catadores no processo econômico, bem como a transformação e organização da cadeia produtiva dos resíduos sólidos são pontos importantes a serem observados, como ressaltou o senador.

Para o senador Jorge Viana (PT-AC), apesar de ter uma lei importante, o Brasil está atrasado quanto ao tratamento de seus resíduos. Como exemplo, ele disse que o Rio de Janeiro, cartão postal do país, ainda possui cidades com esgoto a céu aberto. A participação das famílias é importante para o sucesso da Política, na avaliação do senador.


Visita

A subcomissão poderá visitar a unidade de tratamento de resíduos sólidos de Rio Branco (AC), conforme sugestão do senador Anibal Diniz (PT-AC). Ele explicou que essa cidade foi uma das primeiras a atender à imposição da Política de Resíduos Sólidos e poderá contribuir com as demais cidades do país que precisam se adequar à lei. Para essa adequação, avaliou o parlamentar, é preciso haver diálogo com os órgãos financiadores, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Ministério do Meio Ambiente e as associações de municípios.

"Temos um desafio praticamente inexequível, considerando o tempo que nos resta até o final de 2014, que é a adequação de todos os municípios a essa exigência do tratamento adequado dos resíduos sólidos", disse Anibal Diniz.


Audiência

Em sua primeira audiência pública, a subcomissão vai discutir a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, como evento preparatório para a 4ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, que será realizada de 24 a 27 de outubro de 2013, em Brasília. Requerimento com esse objetivo, apresentado pelo senador Rodrigo Rollemberg, foi aprovado nesta primeira reunião.

Para discutir o tema, Rollemberg sugeriu que fossem convidados a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro; o presidente da Associação Nacional do Municípios, Paulo Ziulkoski; e representantes da Associação Nacional de Engenharia Sanitária e Ambiental e do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.


Fonte: Agência Senado.



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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Biocombustíveis podem ser facilitadores da segurança alimentar





Com políticas públicas adequadas e investimento em novas tecnologias que permitam explorar melhor a biomassa, a produção de biocombustíveis pode fortalecer tanto o desenvolvimento econômico como a segurança alimentar e energética – principalmente em países da América Latina e da África.

A avaliação foi feita pelo professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Luís Augusto Barbosa Cortez e pelo professor do Imperial College London Jeremy Woods em um painel sobre biocombustíveis realizado na última sexta-feira (27/09), durante a programação da FAPESP Week London.

“Faço essa afirmação com base na experiência do Brasil. A razão para o sucesso do modelo brasileiro, que combina produção de açúcar e de etanol, foi principalmente a relação dinâmica entre os setores de pesquisa e produtivos”, afirmou Cortez.

Embora possa parecer aos olhos estrangeiros que os brasileiros vivem cercados de cana por toda parte, disse Cortez, a verdade é que as plantações dedicadas à produção de etanol ocupam apenas 0,4% do território do país e nunca representaram uma ameaça à produção de alimentos.

“Na década de 1970, o Brasil importava 80% da gasolina que consumia. O Proálcool [Programa Nacional do Álcool], além de ajudar a conquistar a independência energética, contribuiu para a industrialização da agricultura brasileira. Foram transferidos para o setor toda uma capacidade de engenharia e de cálculo dos custos de produção e todo um conhecimento sobre máquinas. Hoje 40% das exportações do país correspondem a produtos agrícolas”, disse Cortez.

Na avaliação do cientista, vários países africanos e latino-americanos – por possuírem grandes quantidades de terras disponíveis para a produção de biocombustíveis – poderiam se beneficiar com o modelo brasileiro e aliviar sua dependência energética.

Com esse objetivo e apoio da FAPESP, foi iniciado em 2013 o projeto Bioenergy Contribution of Latin America & Caribbean and Africa to the Global Sustainable Bioenergy Project (LACAF-cana), cuja meta é analisar as possibilidades de produção de etanol de cana em quatro países: Colômbia, Guatemala, Moçambique e África do Sul.

“Nosso primeiro passo será fazer um diagnóstico da atual situação agrícola desses países. Em seguida, faremos um levantamento do potencial de produção e discutiremos qual é o modelo mais adequado para cada lugar. Não necessariamente será um modelo igual ao brasileiro”, contou Cortez.

Em uma segunda etapa do projeto, serão avaliadas questões ambientais, como potencial ameaça à biodiversidade e aos recursos hídricos. Numa terceira parte, questões socioeconômicas, contou Cortez.

A iniciativa, acrescentou, é uma contribuição brasileira ao projeto Global Sustainable Bionergy (GSB), coordenado pelo professor do Dartmouth College (Estados Unidos) Lee Lynd, que tem como meta incentivar o desenvolvimento sustentável dos biocombustíveis e analisar as possibilidades de substituir 25% da energia usada hoje no planeta por bioenergia.

“Em um estudo prévio identificamos potenciais áreas para expandir a plantação de cana no Brasil. Sem tocar na Amazônia, vimos que há 360 milhões de hectares disponíveis. Hoje temos 9 milhões plantados. Mas o governo federal pediu um zoneamento para cultivo de cana, chegamos então a 60 milhões de hectares. Concluímos que, se apenas 25 milhões de hectares adicionais fossem plantados no Brasil, o país sozinho poderia suprir 10% do consumo mundial de gasolina”, contou Cortez.


Amigo ou inimigo

Em sua apresentação, Jeremy Woods, que também colabora com o LACAF-cana, desconstruiu diversos argumentos usados pelos críticos da bioenergia, entre eles os da elevação do preço dos alimentos em razão do maior uso da terra para produção de biomassa, do aumento na pressão sobre a biodiversidade e sobre os recursos hídricos e do aumento nas emissões de gases estufa causados pelo desmatamento.

“No Brasil, por exemplo, é a expansão do cultivo de soja uma das maiores causas do desmatamento. E essa soja é usada principalmente na alimentação animal. Nos Estados Unidos também a maior parte do milho cultivado é usado na alimentação animal. O desmatamento, portanto, está mais associado ao nosso consumo de carne e de laticínio do que aos biocombustíveis”, avaliou.

De acordo com Woods, não há um consenso no meio científico sobre os impactos da bioenergia. “Não devemos pensar nisso como um problema e sim buscar uma solução para integrar a produção de alimentos e de bioenergia. Se feita da forma adequada, a produção de biocombustíveis pode ser facilitador da segurança alimentar”, disse.

Woods citou como exemplo o caso de Zâmbia, que em 2012 produziu 1,5 milhão de toneladas de milho excedente. Com capacidade de exportar apenas 70 mil toneladas por mês, o país africano perdeu a maior parte de sua produção. “Se houvesse um sistema integrado, as sobras poderiam ser destinadas para a bioenergia”, opinou.

Segundo Woods, ninguém ainda sabe ao certo como ampliar a oferta de biomassa sem causar grandes impactos ambientais nem ameaçar a segurança alimentar, mas a solução certamente deverá combinar quatro fatores: aumento da área de terra plantada, aumento da produtividade, melhor exploração do que hoje é considerado lixo, como a palha e o bagaço da cana, e aumento da eficiência, com a produção do etanol lignocelulósico e fracionamento da biomassa para obter subprodutos de alto valor agregado, como polímeros e químicos de interesse industrial.

“Os impactos indiretos são reais, mas contornáveis e é preciso enxergá-los sob uma diferente perspectiva. Essa mudança de perspectiva é essencial para que possamos ter políticas públicas adequadas que permitam o manejo integrado da terra”, disse.

Também participou do painel de biocombustíveis a professora da Universidade de São Paulo (USP) Siu Mui Tsai, que desenvolve um projeto apoiado pela FAPESP cujo objetivo é avaliar como o cultivo para a produção de biocombustíveis impacta a qualidade de solo, considerando não apenas a composição físico-química da terra como também a microbiota.

“Tentamos comparar um ambiente não perturbado com um perturbado e buscar métodos para manter a longo prazo a sustentabilidade do setor agrícola, seja por meio de manejos integrados ou sistemas de cultivo com palha, por exemplo”, afirmou.


FAPESP Week London 2013


Fonte: FAPESP.



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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Concentração de CO2 na atmosfera é a maior em 800 mil anos alerta o IPCC





A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera da Terra é a maior em pelo menos 800 mil anos. A advertência sobre o grau de contaminação pelo principal gás causador do efeito estufa foi divulgada no começo da manhã desta sexta-feira pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), o grupo de experts das Nações Unidas reunido em Estocolmo, na Suécia. Após uma madrugada de trabalhos, os especialistas decidiram advertir mais uma vez, agora com 95% de certeza, para a responsabilidade do homem no aquecimento global, no derretimento de geleiras, no aumento do nível dos oceanos e nos eventos climáticos extremos.

Foram necessários cinco dias de diálogos para que os representantes da comunidade científica e de governos encerrassem, na manhã de hoje, a nova edição de seu relatório sobre o estado do planeta - o quinto desde 1990.

"O aquecimento do sistema climático é inequívoco, e desde os anos 1950, muitas das mudanças observadas não têm precedentes em décadas ao milênio. A atmosfera e o oceano aqueceram, a quantidade de neve e gelo diminuiu, o nível do mar subiu e as concentrações de gases de efeito estufa aumentaram", sintetiza o relatório.

De acordo com o documento de 36 páginas voltado para formuladores de políticas apresentado hoje por experts e delegados governamentais, a concentração de CO2 na atmosfera aumentou 40% desde a era pré-industrial em razão das emissões oriundas da queima de combustíveis fósseis. Deste total, 30% foram absorvidos no período pelos oceanos, que por essa razão se tornaram mais ácidos e menos capazes de regular o clima.

Como efeito, a temperatura média da Terra vem se elevando – já subiu 0,85°C entre 1880 e 2012 – e vai atingir no mínimo mais 1,5ºC até o final do século em relação à média diagnosticada entre 1850 e 1900. E esse será o melhor dos cenários, advertiu Thomas Stocker, um dos coordenadores do relatório sobre as bases físicas das mudanças climáticas. "Ela provavelmente vai subir 2ºC nos dois piores cenários, ondas de calor muito provavelmente ocorrerão com mais frequência e durarão mais tempo. Com o aquecimento da Terra, nós esperamos que regiões úmidas recebam ainda mais chuva, e regiões secas ainda menos", advertiu.

O IPCC também decidiu manter o ponto mais polêmico do relatório, que fazia menção à suposta "desaceleração" do aquecimento entre os anos de 1998 e 2012. O tema foi alvo de cientistas, políticos e jornalistas negacionistas nas últimas duas semanas, que usaram a constatação do painel para atacar sua suposta incoerência.

Depois das negociações, o artigo que fazia referência ao assunto foi modificado, incluindo ponderações para a irrelevância científica de projeções de curto prazo e sobre a ocorrência de El Niño, o fenômeno que resulta no aquecimento das águas do Oceano Pacífico.

"Além do robusto aquecimento de várias décadas, a média global de temperatura na superfície exibe uma variação substancial interanual e a cada cinco décadas. Em razão da variação natural, tendências baseadas em apenas seis registros são muito sensíveis às datas de início e fim e em geral não refletem tendências de longo termo", diz o texto final, que exemplifica: A taxa de aquecimento dos últimos 15 anos (1998-2012, de 0,05ºC por década), que começa com um forte El Niño, é menor do que a taxa calculada desde 1995 (1951-2012, de 0,12ºC por década).

O texto explica ainda que, se a sequência de 15 anos for medida a partir de 1995, 1996 ou 1997, o aumento da temperatura média da Terra no período seria de 0,13ºC, 0,14ºC e 0,07ºC por década, respectivamente.

Um dos destaques do primeiro dos quatro relatórios do IPCC a serem divulgados entre 2013 e 2014, segundo experts do painel ouvidos pelo Estado ao longo da semana, é a precisão e o tecnicismo do texto - uma resposta às críticas por erros pontuais encontrados no relatório de 2009.

Com temperaturas mais elevadas, o derretimento de geleiras nunca foi tão intenso. Entre 1979 e 2012, o Ártico perdeu entre 3,5% e 4,1% de sua área a cada década. Os mantos de gelo da Groenlândia e da Antártida tiveram uma perda significativa de massa e encolheram entre 1992 e 2001. No mar da Antártida, por outro lado, houve um pequeno aumento do gelo, de 1,2% a 1,8% por década no mesmo período. As projeções indicam que em 2100, entre 15% e 85% das geleiras e extensões de neve da Terra terão desaparecido, considerados o melhor e o pior dos cenários.

Se o planeta aquece e parte das geleiras desaparece, maior se torna o nível dos oceanos. Entre 1901 e 2010 eles já subiram 19 centímetros e a previsão é de que aumentem entre 26 e 82 centímetros até 2100.


Fonte: Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e jornal O Estado de São Paulo.



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