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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

PESQUISA: Técnica combate doença mais comum na cultura do maracujá


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01512

A doença que mais aflige os produtores de maracujá no Brasil, o vírus do mosaico do caupi (CABMV, na sigla em inglês), pode ser combatida com uma técnica relativamente simples.

Como mostrou um estudo apoiado pela FAPESP e publicado na revista Plant Pathology, a erradicação sistemática das plantas com sintomas da doença preserva a cultura como um todo, mantendo-a produtiva por pelo menos 25 meses.

Atualmente, por conta do CABMV, os produtores costumam renovar os maracujazeiros a cada ano, um procedimento oneroso. De acordo com os autores do trabalho, o fator econômico é crítico para essa cultura, normalmente praticada por pequenos agricultores.

O vírus do mosaico do caupi ocorre em todos os estados do Brasil e atrapalha o desenvolvimento das plantas. Pode causar o endurecimento dos frutos, tornando-os impróprios para o consumo. Atualmente, a erradicação de plantas doentes é feita somente quando o problema é detectado nos primeiros estágios de vida do maracujazeiro. Os autores da pesquisa propõem que a prática seja mantida ao longo de todo o desenvolvimento da planta.

A pesquisa foi desenvolvida por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Araras, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), da Embrapa Semiárido e do Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria, na Argentina.

“Essa é uma técnica usada na cultura do mamoeiro, no Espírito Santo, desde os anos 1980. Depois de vários experimentos, concluiu-se que era a melhor forma de conviver com o vírus do mosaico do mamoeiro [PRSV-P, na sigla em inglês]”, disse Jorge Alberto Marques Rezende, professor da Esalq-USP e coordenador do estudo, iniciado em 2010.

Assim como ocorre nos mamoeiros, as plantas doentes de maracujá servem como fonte do vírus, que é transportado pela saliva do pulgão e, em poucos meses, toma conta de toda a plantação. Como o inseto não coloniza as plantas, apenas passa por elas, o uso de inseticidas não é eficiente para o controle.

O inseticida afeta o sistema nervoso do pulgão, mas demora horas para matá-lo. Quando atingido, o inseto é estimulado a se alimentar de mais plantas, espalhando o vírus. Em vez de controlar a doença, portanto, o inseticida ajuda a propagá-la”, disse David Marques de Almeida Spadotti, primeiro autor do artigo, realizado como parte do seu estágio de pós-doutorado na Esalq-USP.

Em experimentos anteriores, plantas transgênicas de maracujá e o uso de variantes atenuadas do CABMV como uma forma de vacina também não mostraram bons resultados para controlar a doença.

Neste novo estudo, foram feitos plantios experimentais em uma área da Esalq, em Piracicaba, e em duas áreas em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. Os experimentos ocorreram entre 2013 e 2018. Em duas áreas de cada cidade, cerca de 100 mudas de maracujazeiro foram plantadas apoiadas em caramanchões (estruturas de madeira em formato de T) ou espaldeiras (postes de madeira), ambas com arames ligando umas às outras.

O maracujazeiro, por ser uma trepadeira, usa essas estruturas para se apoiar. Além disso, elas permitem fazer a separação das plantas uma da outra, já que o entrelaçamento inviabiliza a identificação das doentes. A segregação, podando ou afastando os brotos antes de se aproximarem uns dos outros, permitiu que aquelas que apresentavam sintomas pudessem ser imediatamente identificadas e erradicadas em vistorias semanais.

Em outra área em cada cidade, afastada das outras, foi realizada a plantação em espaldeira da mesma quantidade de pés. Porém, as plantas não eram separadas nem as doentes erradicadas, reproduzindo o plantio normalmente feito pelos produtores. As duas estratégias foram então comparadas.

Nos plantios em que não foi feita a erradicação, o vírus tomou conta de todas as plantas em 120 dias. Nos demais, após 180 dias apenas 8% estavam infectadas e foram erradicadas. Em Piracicaba, só 16% das plantas precisaram ser removidas após 25 meses. A plantação seguia produtiva até esse período.

Todas as plantas erradicadas por suspeita da doença foram submetidas ao teste sorológico PTA-ELISA, que confirmou a presença do vírus em 100% das amostras.

O sintoma aparece, em média, oito dias após a inoculação do vírus. Com a prática da erradicação, é possível identificar visualmente a planta doente e fazer o controle. Por isso, o ideal é que a inspeção da plantação seja feita pelo menos uma vez por semana”, disse Spadotti.


Mudança de cultura

Segundo os pesquisadores, o próximo passo da pesquisa é realizar plantios-piloto, ainda maiores, com mil a dois mil pés de maracujá. Além de erradicar as plantas doentes, os pesquisadores pretendem substituí-las por mudas saudáveis. A ideia é manter a plantação por três a quatro anos e compará-la com outra feita na forma tradicional, totalmente replantada a cada ano.

Como o maracujazeiro é uma planta semiperene, a ideia é que esse tempo maior de produção seja mais vantajoso, do ponto de vista econômico, do que a completa substituição da plantação anualmente”, disse Rezende, que coordena o Projeto Temático “Begomovirus e crinivirus em solanáceas”, também relacionado a vírus em culturas alimentícias.

Para ter sucesso, no entanto, os pesquisadores afirmam que a prática deve ser aplicada por todos os produtores de maracujá, em escala regional. Além de outras plantações, pomares antigos ou abandonados podem servir como fonte do vírus para os vizinhos e devem ser eliminados.

Além disso, variedades selvagens de maracujá em áreas vizinhas também podem servir como depósitos do vírus. Numa das áreas de estudo, em Vitória da Conquista, um experimento não teve o sucesso esperado por conta da presença de maracujazeiros selvagens infectados no entorno da plantação. Depois que foram eliminados, diminuiu-se consideravelmente a incidência do CABMV.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é o maior produtor mundial de maracujá. Em 2017 foram produzidas mais de 550 mil toneladas.




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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Falta de fósforo pode afetar reação da floresta amazônica às mudanças do clima conclui pesquisa


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01511

Dentre os diversos fatores que influenciarão o modo como a Amazônia vai reagir às mudanças climáticas está a escassez do elemento fósforo na floresta. Esta foi a conclusão de um estudo que realizou simulações usando 14 modelos computacionais de vegetação para entender o que acontecerá com as árvores da região.

Em artigo publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (05/8), um grupo de pesquisadores liderado pelo ecólogo David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que o solo pobre em fósforo da floresta pode impedir as árvores de reagir ao aumento de gás carbônico atmosférico associado às mudanças climáticas.

Calcular qual será a reação da cobertura vegetal com a mudança do clima é um dos pontos centrais para estimar o impacto do aquecimento global no Brasil. Uma possibilidade considerada pelos pesquisadores é a de que, submetida a estresse hídrico, a floresta tende a encolher, dando espaço para o avanço de uma vegetação mais típica de Cerrado.

A hipótese da “savanização”, como ficou conhecida, perdeu um pouco de força depois que alguns experimentos em regiões temperadas mostraram que plantas podem ser capazes de superar as dificuldades a serem impostas pela mudança climática.

Apesar de as simulações preverem um ambiente mais inóspito para muitas espécies de árvores nas próximas décadas, a maior concentração de gás carbônico (CO2) no ar – uma das causas do aquecimento global – traz algo de bom para as espécies vegetais. O carbono é um dos principais elementos com o qual as plantas constroem a si próprias, e uma concentração maior disponível na atmosfera poderia ajudá-las a crescer sem gastar muita energia.

Uma classe de experimentos chamada Free-Air Carbon Dioxide Enrichment (Face) indicou que, nas florestas de clima temperado, esse efeito benéfico do CO2 provavelmente vai ajudar árvores a se adaptarem ao novo clima que enfrentarão. Para saber se essa premissa é válida também para florestas tropicais, um consórcio internacional liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) planejou um experimento similar a ser realizado ao norte de Manaus.

A proposta do Amazon-Face consiste essencialmente em borrifar um grande volume de CO2 sobre algumas parcelas de floresta para estudar como as árvores ali reagem a uma maior concentração de carbono no ar. Ainda em fase de implementação, o experimento requer grande preparo, sobretudo o conhecimento de como a floresta se comporta em condições naturais.

Foi em busca de fatores que podem influenciar mais a reação da floresta à mudança climática que pesquisadores do projeto decidiram simular em computador a dinâmica do fluxo de carbono e nutrientes das árvores. No caso, computaram o ciclo de carbono, fósforo e nitrogênio para entender quais medições serão as mais importantes na futura interpretação dos experimentos.

Lapola conta que um experimento nos Estados Unidos verificou, nos primeiros anos após o aumento de CO2, um efeito positivo para as plantas. Mas depois disso o nitrogênio escasso no solo se tornou limitante, a despeito do carbono abundante. “É um bom exemplo do que pode acontecer na Amazônia com a falta de fósforo”, afirma. Já se suspeitava que o fósforo, por ser escasso na maior parte da extensão de solo amazônico, seria uma peça fundamental no estudo. Ao longo das eras, as árvores da região superaram essa limitação, mas, com a velocidade da mudança climática, o tempo para o surgimento de novas adaptações evolutivas é curto.

A ciência ainda sabe muito pouco sobre como as plantas da região fazem para burlar essa limitação de fósforo. Muitas árvores em florestas tropicais – incluindo as da Amazônia – obtêm fósforo por meio de interação com fungos. A planta dá açúcar para o fungo, que fornece nutrientes para a planta. Mas não sabemos, por exemplo, se os fungos preservarão sua habilidade de desmineralizar fósforo do solo no contexto de mudança climática”, diz Lapola.

Por ora, entram em cena as simulações de computador. Dos 14 modelos matemáticos usados pelos cientistas do Amazon-Face para esse estudo, três consideravam apenas o ciclo de carbono e cinco também levavam em conta o nitrogênio. Outros seis incluíam o fósforo. Quando comparados uns com os outros, os resultados indicaram que a escassez de fósforo dos solos amazônicos comprometeria em cerca de 50% a capacidade das árvores de absorver o carbono extra que estará no ar.

As simulações, contudo, apresentaram grande variação. Medindo a produtividade líquida das plantas em gramas (g) de carbono absorvidos por metro quadrado a cada ano e considerando um cenário de alta concentração de CO2 no ar, as árvores chegariam a um valor de cerca de 160 g. Quando a escassez de fósforo era considerada na equação, porém, esse valor caía. Alguns modelos indicaram uma queda pequena, para 142 g. Outros sugeriram uma queda drástica, para 16 gramas.

A incerteza contida no resultado da pesquisa, diz Lapola, é um incentivo a mais para os pesquisadores levarem adiante o experimento de grande escala do Amazon-Face. O fósforo deverá ser o fiel da balança na hora de determinar como a Amazônia vai reagir à crise do clima. Um aspecto do estudo do grupo de Lapola é indicar que, em um cenário de mudança climática, as árvores amazônicas teriam reduzida sua capacidade de transformar a energia da fotossíntese em biomassa.

De maneira geral, embora isso não seja exatamente um resultado ruim para a floresta amazônica, é um resultado ruim para o clima global. Os resultados sugerem que a floresta amazônica teria um papel menos importante para sequestrar o carbono emitido pela humanidade por meio da queima de combustíveis fósseis, dificultando cada vez mais estabilizar a concentração de CO2 atmosférico", afirma Marcos Heil Costa, líder do Grupo de Pesquisa em Interação Atmosfera-Biosfera da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Para Costa, os resultados do Face na Amazônia trariam grande contribuição para lidar com a questão da savanização, mas esta depende também de variáveis como o aumento da duração da estação seca, o total anual de chuvas e a frequência de incêndios, que não estão diretamente ligados à fisiologia das plantas.


Megaprojeto

O Amazon-Face começou em 2014 como um projeto estratégico articulado dentro do então Ministério da Ciência e Tecnologia. Em sua fase 1, antes da construção das primeiras torres de emissão de CO2, o programa teve apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A FAPESP ajudou com auxílio à pesquisa do programa Jovem Pesquisador e um financiamento para mobilidade em colaboração com o Oak Ridge National Laboratory, que tem ampla experiência nesse tipo de experimento.

A estrutura do projeto em sua versão completa prevê a realização do experimento, que ainda não começou, em seis parcelas de floresta circulares, de 30 metros (m) de diâmetro. Em torno de cada uma delas, devem ser construídas 16 torres emissoras de CO2, cada uma com 30 m de altura. Todas são conectadas a um tanque de 50 toneladas de CO2 líquido que as abastecerá e permitirá aumentar a concentração de carbono da área. Dentro de cada parcela uma torre com instrumentação científica realizará medições atmosféricas e de condições do solo.

A concepção original do projeto previa um orçamento inicial de US$ 88 milhões. Com a crise econômica e o escasseamento das verbas federais de pesquisa em 2016, o Face atrasou. Das seis torres de medição previstas, apenas duas foram construídas e produziram dados por três anos. As simulações descritas agora na Nature Geoscience são parte do projeto e vão subsidiar a análise de resultados mais tarde. O restante da infraestrutura ainda aguarda financiamento.

Um experimento menor que o grupo está realizando no local é testar a reação de árvores jovens, com até 3 m de altura, a um aumento na concentração de CO2. “Nós instalamos no sub-bosque algumas câmaras pequenas, que parecem estufas, com 3 m de altura, para estudar como as arvoretas reagem a um aumento de 50% na concentração de carbono. É importante saber como elas vão se comportar também, porque essas são as árvores que, depois de crescer, dominam o dossel da floresta”, conta Lapola.




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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Especialista afirma que marco regulatório é um avanço para o Brasil

Imagem ilustrativa. Divulgação: Agrolink

Tópico 01510

O novo marco regulatório dos agrotóxicos atualizou e tornou mais claro, os critérios de avaliação e de classificação toxicológica dos agrotóxicos comercializados no país.

Segundo o colunista e especialista em finanças e agronegócio, Frederico Franco , essa mudança é um avanço para o Brasil, que agora passa a seguir regras internacionais de classificação dos agrotóxicos, com base nos padrões do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals – GHS).

É importante ressaltar que os resultados dos estudos toxicológicos de irritação dérmica e ocular, sensibilização inalatória que antes eram utilizados para classificação toxicológica, agora serão utilizados na comunicação, pela embalagem, evidenciando o perigo dos produtos. O novo marco prevê alterações nos rótulos e nas bulas dos agrotóxicos, definindo regras para a disposição de informações, palavras e imagens de alerta, de forma a facilitar a identificação de riscos para a saúde humana.

As empresas terão um ano para se adaptarem às novas regras, prazo contado a partir de hoje, com sua publicação no DOU. Em relação aos produtos que já estão em circulação, a reclassificação será feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que publicou edital requerendo informações sobre os produtos.

De acordo a Anvisa, já foram enviados dados para reclassificação de aproximadamente 1.950 agrotóxicos registrados no Brasil, quase 85% do volume total (2.300) em circulação.

O marco regulatório dos agrotóxicos foi criado em harmonia com regras internacionais seguidas pelos países da União Europeia e da Ásia, o que, segundo a agência, fortalece as condições de comercialização de produtos nacionais no exterior, além de garantir mais clareza de informações.

Frederico ainda ressalta que, as críticas pelo uso dos agrotóxicos nunca irão acabar, entretanto são importantes para o debate saudável e regulamentação do uso dos mesmos. Porém, é importante ressaltar que o território brasileiro não está em uma zona temperada, ou seja, não temos inverno com neve que serve como interregno na produção agrícola dos Estados Unidos, Canadá, União Europeia, Rússia, Ucrânia, África do Sul, Austrália e Argentina, e como resultado eles utilizam menor quantidade de defensivos agrícolas.

Assim sendo, para produzir 3 a 4 safras por ano, em um território propício para quantidades maiores de insetos, fungos e ervas daninhas, se faz necessário o uso do agrotóxico. Entretanto, se fizer análise de proporção de uso per-capita ou por hectare, o Brasil cai no ranking mundial.

O Brasil já seguia as normas de forma parcial, pois as regras já eram aplicadas no uso de produtos químicos e nas normas de segurança do Ministério do Trabalho. Agora, seguindo de forma mais ampla, o que melhora a imagem dos produtos agrícolas comercializados fora do país, afetando positivamente e indicando um possível aumento na exportação, com este fator que amplia a aceitação dos nossos produtos.





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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Pauta do STF traz ações contra transferência de demarcação de terras indígenas para Ministério da Agricultura


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01509

Nesta quinta-feira (1º), o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa as atividades do segundo semestre de 2019 com vários processos na pauta de julgamentos. O primeiro tema elencado é o que trata da transferência de competência para demarcação de terras indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). São quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs 6062, 6172, 6173 e 6174) ajuizadas contra dispositivos da Medida Provisória (MP) 886/2019, que estabelece a organização básica dos órgãos da Presidência da República e dos ministérios.

O relator das ações, ministro Luís Roberto Barroso, suspendeu, em decisão liminar, os dispositivos atacados nas ações até decisão do Plenário. As ações foram ajuizadas, respectivamente, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Rede Sustentabilidade, Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Democrático Trabalhista (PDT).

As legendas pedem a declaração de inconstitucionalidade do artigo 1º da MP 886/2019, na parte em que altera os artigos 21 (inciso XIV e parágrafo 2º) e 37 (inciso XXI) da Lei 13.844/2019, que é resultante da conversão da MP 870/2019. A lei reestrutura os órgãos da Presidência da República, mas, durante o processo de conversão, o Congresso Nacional rejeitou a transferência da demarcação de terras para o Mapa, mantendo tal atribuição no âmbito da Funai. Como a alteração ficou fora da lei objeto da conversão da MP 870/2019, o governo editou a MP 886/2019, reinserindo no texto legal a parte que havia sido retirada pelos parlamentares.

Ao deferir medida liminar para suspender os efeitos de trecho da medida provisória, o ministro Barroso destacou que a reedição de norma rejeitada pelo Congresso Nacional na mesma sessão legislativa viola a Constituição da República e o princípio da separação dos Poderes. Agora, o Plenário do STF decidirá se referenda ou não a liminar.

Também está na pauta de julgamentos o Recurso Extraordinário (RE) 716378, com repercussão geral reconhecida, sobre estabilidade para funcionário da Fundação Padre Anchieta. O recurso foi interposto pela fundação para questionar acórdão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que aplicou a estabilidade prevista no artigo 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal, a um funcionário dispensado sem justa causa em 2005, após aposentadoria espontânea em 1995. O julgamento será retomado com o voto-vista da ministra Rosa Weber.


Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6062 – Medida cautelar

Relator: ministro Luís Roberto Barroso

Partido Socialista Brasileiro (PSB) x Presidente da República

Ação ajuizada em face do artigo 1º da Medida Provisória 886/2019, na parte em que altera os artigos 21 (inciso XIV e parágrafo 2º) e 37 (inciso XXI), ambos da Lei 13.844/2019, a qual estabelece a organização básica dos órgãos da Presidência da República e dos ministérios.

O PSB afirma que os dispositivos impugnados reeditam norma que pretendeu transferir a competência para a demarcação de terras indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o que fora previamente rejeitado pelo Congresso Nacional.

O ministro relator deferiu a medida cautelar, ad referendum do Plenário, para suspender os efeitos da MP, na parte em que altera os dispositivos questionados da Lei 13.844/2019.

Em discussão: saber se estão presentes os pressupostos e requisitos necessários à concessão da medida cautelar. PGR: pelo indeferimento da medida cautelar pleiteada.

*Sobre o mesmo tema serão julgadas conjuntamente as ADIs 6172, 6173 e 6174




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quarta-feira, 24 de julho de 2019

Dispersão da araucária na Mata Atlântica foi influenciada por povos pré-colombianos


Imagem meramente ilustrativa: Araucária

Tópico 01508

A exploração intensiva de madeira praticada no Sul do Brasil a partir do século 19 é, em boa medida, responsável pelo fato de a araucária (Araucaria angustifolia) ser hoje uma espécie em risco extremo de extinção. Contudo, dados de um estudo ainda em andamento sugerem que em outro momento da história a ação humana beneficiou a expansão dessa conífera na Mata Atlântica, ajudando a moldar a região hoje conhecida como Mata de Araucárias, que se estende por Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul.

A forma como a espécie está hoje distribuída parece ter tanto influência climática quanto antrópica. O que não sabemos é se foi algo ocasional ou se os humanos agiram intencionalmente para expandir a população de araucárias e, assim, ampliar sua fonte de comida”, disse Mariana Vasconcellos, pós-doutoranda na City University of New York (Cuny) e no Jardim Botânico de Nova York (NYBG), nos Estados Unidos, à Agência FAPESP.

Segundo a pesquisadora, estudos arqueológicos já mostraram que as primeiras populações indígenas que habitaram o Sul do Brasil se alimentavam do pinhão, a semente da araucária, há pelo menos 4,3 mil anos.

O trabalho de Vasconcellos é conduzido pelos pesquisadores Ana Carolina Carnaval (Cuny) e Fabian Michelangeli (NYBG) no âmbito de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP e pela agência norte-americana National Science Foundation (NSF) e realizado no âmbito do programa BIOTA-FAPESP.

O objetivo da pesquisa colaborativa é conhecer a distribuição de espécies animais e vegetais na Mata Atlântica, entender como a fauna e a flora reagiram às variações no clima ocorridas nos últimos milhares de anos e, assim, levantar informações que ajudarão a prever o impacto das mudanças climáticas no bioma e a estabelecer áreas e espécies-chave para políticas de conservação.

Resultados de diversas linhas de investigação vinculadas ao Temático foram apresentados no dia 12 de julho, na sede da FAPESP, durante o simpósio Dimensions US-BIOTA São Paulo: A multidisciplinary framework for biodiversity prediction in the brazilian Atlantic Forest hotspot.

No caso da pesquisa de pós-doutorado de Vasconcellos, a proposta é descobrir como as populações de araucária se comportaram (se houve expansão ou retração) desde a última era do gelo (último máximo glacial), ocorrida há cerca de 20 mil anos. Para isso, foram coletadas amostras da espécie em áreas com vegetação nativa remanescente na Serra da Mantiqueira, em São Paulo, e nos estados da Região Sul para realizar a análise genômica. Os dados obtidos por sequenciamento foram cruzados com registros de pólen fossilizado disponíveis na literatura científica e modelos capazes de estimar como era o clima em eras passadas.

Sabemos que o clima frio e úmido é o ideal para a araucária. Modelamos a distribuição da espécie durante o último máximo glacial [quando estava muito frio e seco], durante o Holoceno Médio [período mais quente e úmido ocorrido há cerca de 6 mil anos] e comparamos com a distribuição da espécie no presente [quente como o Holoceno Médio, porém mais seco]. De modo geral, vimos que à medida que a temperatura aumentou a área de distribuição das araucárias foi diminuindo. No entanto, os registros de pólen fossilizado indicam que há cerca de 4 mil anos houve uma explosão populacional”, contou Vasconcellos.

Resultados das análises genômicas, segundo a pesquisadora, reforçam a hipótese de influência humana nesse fenômeno.

Enquanto na Serra da Mantiqueira vemos uma população geneticamente diferenciada, que parece ter evoluído naturalmente e com pouca interferência antrópica, na Mata de Araucárias temos indivíduos muito parecidos entre si, distribuídos em uma ampla área geográfica. Isso é característico de uma expansão populacional violenta. Como essa espécie tem grande longevidade e leva entre 20 e 40 anos para começar a se reproduzir, dificilmente fatores climáticos conseguiriam isoladamente explicar uma dispersão tão rápida”, disse Vasconcellos.

A pesquisadora está, no momento, reanalisando os dados com auxílio de modelos capazes de fornecer informações mais contínuas sobre as alterações no clima ocorridas nos últimos 20 mil anos. “Com as novas análises poderemos confirmar a influência humana na expansão da araucária e determinar em que momento da história ela ocorreu”, disse.

De acordo com Cristina Miyaki, professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e uma das coordenadoras do Temático, a influência de povos pré-colombianos na formatação da floresta amazônica e na propagação de espécies de interesse, como a castanheira-do-pará (Bertholletia excelsa), já foi alvo de diversos estudos. “Na Mata Atlântica o tema ainda é relativamente pouco discutido”, disse.

Este foi o único estudo do projeto que explorou o impacto antrópico em termos de dispersão de espécies na Mata Atlântica. É um caso especial, que não fazia parte do nosso escopo inicial”, disse Carnaval, professora do Departamento de Biologia da Cuny.


Novas espécies

Outro estudo apresentado durante o simpósio – conduzido nos últimos quatro anos durante o doutorado de Lucas Bacci, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – praticamente dobrou o número de espécies conhecidas do gênero Bertolonia, endêmico da Mata Atlântica e caracterizado por plantas de folhas grandes e inflorescência escorpioide (flores inseridas sempre do mesmo lado).

Foram 12 novas espécies descritas, a maioria na região central e norte do bioma. “O gênero é encontrado em toda a Mata Atlântica, mas somente cinco espécies são largamente distribuídas. A maioria é micro-endêmica, principalmente as do norte”, disse.

Ao recriar a história evolutiva dessas espécies o pesquisador concluiu que se trata de um gênero monofilético, ou seja, que evoluiu a partir de um ancestral comum há cerca de 30 milhões de anos.

O evento trouxe ainda dados sobre a diversidade e a filogenia de aves, opiliões, borboletas e sobre a influência de fatores climáticos como temperatura e precipitação na formatação do bioma.

Uma das coisas que descobrimos com os trabalhos que vêm sendo feitos desde 2014 é que a Mata Atlântica não evoluiu sozinha. As conexões dessa floresta com a Amazônia e com os Andes estão entre os motivos que a tornam tão diversa. Vemos que existem várias ligações entre essas florestas, que foram mediadas pelo clima ao longo do tempo”, contou Carnaval.

Agora que a parte de coleta de dados está sendo finalizada pelos 16 pesquisadores associados e seus alunos envolvidos na iniciativa, terá início um grande esforço de integração do conhecimento multidisciplinar que permitirá desenvolver modelos preditivos.

Uma das propostas é acompanhar por satélite a variação da temperatura e, assim, gerar modelos que estimem a diversidade que está sendo perdida e os locais em que isso está ocorrendo”, disse Carnaval.

Segundo Miyaki, tem sido um grande desafio colocar um grupo tão diverso de cientistas para trabalhar juntos. “A equipe reúne biólogos de diferentes áreas, geólogos, paleoclimatólogos, especialistas em modelagem e engenheiros envolvidos com sensoriamento remoto. Um programa regular de financiamento à pesquisa não nos permitiria ousar tanto. Só foi possível graças à parceria entre a FAPESP e a NSF”, disse.




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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Dica: Cursos e Eventos promovidos pelo Conselho Regional de Química da IV Região em julho e agosto de 2019


Imagem ilustrativa. Divulgação: CRQ da IV Região

Tópico 01507

As Comissões Técnicas do Conselho Regional de Química da IV Região, juntamente com entidades parceiras, promovem os eventos abaixo com o intuito de atender às solicitações e aprimorar os conhecimentos dos profissionais da química.

Confira o calendário dos próximos cursos e eventos:

29/07/2019 (segunda-feira) São Paulo
Curso: Interpretação das Informações para a Rotulagem de Alimentos
Horário: 8h às 17h
Local: CRQ-IV - Rua Oscar Freire 2039 – Pinheiros – São Paulo/SP
Instrutoras: Daniele Bezerra Faria e Jacqueline Mary Gerage
Organização: Comissão Técnica de Alimentos e Bebidas do CRQ-IV

09/08/2019 (sexta-feira) Piracicaba
Curso: Tecnologias de Pintura e Revestimentos Sustentáveis
Horário: 8h às 17h
Local: Espaço Beira Rio (Rua do Vergueiro, 78 - Sala 4 - Centro – Piracicaba/SP)
Instrutor: Daniel Ramos de Oliveira Sutti
Organização: Comissão Técnica do CRQ-IV

12/08/2019 (segunda-feira) São Paulo
Curso: Inovação e Marketing - Desenhando Saneantes para as Casas do Futuro
Horário: 14h às 17h30 Local: CRQ-IV - Rua Oscar Freire 2039 – Pinheiros – São Paulo/SP
Instrutor: Daniel Ramos de Oliveira Sutti
Organização: Comissão Técnica do CRQ-IV

12 e 13/08/2019 (segunda e terça-feira) São Paulo
Curso: Treinamento de Implantação e Transição para a Nova ISO 14001:2015
Horário: 8h30 às 17h
Local: CRQ-IV - Rua Oscar Freire 2039 – Pinheiros – São Paulo/SP
Instrutor: Wagner de Miranda Pedroso
Organização: Comissão Técnica de Meio Ambiente do CRQ-IV

13/08/2019 (terça-feira) São Paulo
Curso: Análise Térmica Aplicada a Área Farmacêutica
Horário: 8h às 17h
Local: CRQ-IV - Rua Oscar Freire 2039 – Pinheiros – São Paulo/SP
Instrutor: Prof. Dr. Jivaldo do Rosário Matos
Organização: Comissão Técnica de Química-Farmacêutica do CRQ-IV

15/08/2019 (quinta-feira) São Paulo
Evento: II Seminário sobre Proteção Indoor e Outdoor (UVB, UVA, Luz Visível, Luz Azul e IR) 
Horário: 8h às 17h
Local: CRQ-IV - Rua Oscar Freire 2039 – Pinheiros – São Paulo/SP
Palestrantes: Priscila Moncayo – Natura; Dra. Luciana Samorano – FM-USP; Silvana Kitadai Nakayama – Merck; Dr. Marcelo de Paula Côrrea – UNIFEI; Lucas Offenbecker Guerra – Allergisa; Dr. Gustavo Facchini – Kosmoscience.
Organização: Comissão Técnica de Cosméticos do CRQ-IV

20 e 21/08/2019 (terça e quarta-feira) São Paulo
Curso: Interpretação e Implementação de SGQ baseado na ISO 9001:2015
Horário: 8h às 17h
Local: CRQ-IV - Rua Oscar Freire 2039 – Pinheiros – São Paulo/SP
Instrutor: Alexandre Raso Navikas
Organização: Comissão Técnica do CRQ-IV

28 e 29/08/2019 (quarta e quinta-feira) Campinas
Curso: Gerenciamento de Resíduos Horário: 8h às 17h
Local: Rua Conceição, 233 (auditório) – Centro – Campinas/SP
Instrutores: Flávio Luis A. Bragante; Glória Santiago Marques Benazzi e Suely de Camargo. 
Organização: Comissão Técnica de Meio Ambiente do CRQ-IV

29 e 30/08/2019 (quinta e sexta-feira) Barueri
Curso: Análise de Alimentos por Cromatografia
Horário: 8h às 17h
Local: Agilent – Alameda Araguaia, 1142 – Alphaville – Barueri/SP
Instrutores: Renata Cerqueira, Lydia Marques e Celso Ronaldo Blatt
Organização: Comissão Técnica de Alimentos e Bebidas do CRQ-IV

Os cursos e eventos não têm fins lucrativos e, portanto, seus valores são bastante diferenciados do mercado. Não perca esta oportunidade!

Inscrições, dúvidas e maiores informações, pelo e-mail: cursos@sinquisp.org.br




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quarta-feira, 17 de julho de 2019

CRQ da IV Região promove em 20 de setembro o II Fórum de Meio Ambiente


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01506

A Comissão Técnica de Meio Ambiente (CTMA) do CRQ-IV irá promover no dia 20 de setembro, na sede do Conselho, a segunda edição do Fórum de Meio Ambiente. Com o tema geral "Resíduos Sólidos", o evento tem como apoiadores o Sindicato dos Químicos, Químicos Industriais e Engenheiros Químicos do Estado de São Paulo (Sinquisp) e a seção paulista da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária Ambiental (ABES-SP), por meio de sua Câmara Técnica de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas.

A sustentabilidade ambiental pode ser alcançada por meio do conhecimento dos recursos e sua melhor aplicação a fim de alcançar propósitos ambientalmente e socialmente válidos. Diante do cenário atual, o Fórum objetiva disseminar casos práticos e debater as principais estratégias na área ambiental com foco na gestão de resíduos sólidos. O público-alvo é formado por profissionais que atuam na área ambiental, estudantes e demais interessados.


Confira abaixo a programação preliminar:

8:30 – 8:50
Recepção dos inscritos

8:50 – 9:40
Tema: Panorama Nacional sobre Resíduos
Palestrantes: Wagner de Miranda Pedroso e Flávio Luis A. Bragante (CTMA/CRQ-IV)

9:40 – 10:25
Estudo de Caso - Hospital Albert Einstein
Palestrante: Neilor Cardoso Guilherme

10:25 – 10:45
Coffee Break

10:45 – 11:25
Estudo de Caso - A confirmar

11:25 – 12:00
Rodada de perguntas com os palestrantes

12:00 – 13:30
Almoço livre

13:30 – 14:10
Tema: Resíduos Sólidos - Logística Reversa
Palestrante: Fabrício Soler (Felsberg)

14:10 – 14:55
Tema: Logística Reversa: Cenário, Tendências e Desafios
Palestrante: Cristiane Lima Cortez (Fecomercio)

14:55 – 15:15
Coffee Break

15:15 – 15:55
Tema: Resíduos & Responsabilidade Social
Palestrante: Roger Koeppl (YouGreen)

15:55 – 16:30
Rodada de perguntas com os palestrantes

16:30
Encerramento


II Fórum de Meio Ambiente - Resíduos Sólidos

Data: 20 de setembro de 2019

Horário: 8h30 às 16h30

Local: CRQ-IV (Rua Oscar Freire, 2039 - Pinheiros – São Paulo/SP)

Investimento*: R$ 50,00 (Profissionais da Química registrados no CRQ-IV, profissionais de empresas registradas no CRQ-IV e estudantes da área); e R$ 100,00 (demais interessados)

Informações e inscrições: cursos@sinquisp.org.br

*No valor estão incluídos dois coffee breaks. As despesas com almoço, transporte e eventualmente hospedagem correrão por conta do participante. Ao final do evento será emitido certificado.




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