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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Agricultores e empresa devem pagar indenização por danos ambientais em Área de Preservação Permanente


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01540

A 2ª Câmara Reservada ao Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 1ª Vara Cível de Capivari para condenar uma empresa e seus inquilinos (dois agricultores e um pecuarista) pela degradação de Área de Preservação Permanente.

Eles devem pagar indenização por danos ambientais e demais despesas com a recuperação da área protegida, valor correspondente a R$ 66.360, em prol do Fundo Especial de Despesa de Reparação de Interesses Difusos Lesados.

A decisão também determina que os réus parem de utilizar as áreas do imóvel com atividades danosas, sob a pena de 100 Ufesps por cada ato de descumprimento.

Consta dos autos que a empresa é proprietária do terreno e que seus inquilinos utilizavam a área para plantio de milho e feijão, bem como para a criação de gado. De acordo com o relator do caso, desembargador Roberto Maia, a degradação ambiental foi comprovada pelas confissões dos réus e testemunha, pelos boletins de ocorrência, por informação técnica e por exame pericial.

Como se sabe, o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito difuso, essencial à qualidade de vida dos cidadãos bem como das futuras gerações, com expressa previsão constitucional. Não se pode, portanto, alegar que um dano a um patrimônio público protegido em razão de ser essencial ao direito à vida e à dignidade humana seja desconsiderado pela tolerabilidade”, escreveu o magistrado em seu voto.

Os agricultores alegavam baixa ofensividade na conduta degradante e pediam o afastamento da responsabilidade. O relator, no entanto, destacou que “não se aplica a teoria da bagatela em crimes ambientais, gerando atipicidade material da conduta, posto que não é apenas o resultado da conduta que se quer sancionar, mas sim a tutelar um direito difuso cujo interesse de preservação e recomposição é um imperativo para existência, por meio de medidas dissuasórias”.

Completaram a turma julgadora os desembargadores Paulo Ayrosa e Paulo Alcides. A decisão foi unânime.




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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Ministério do Meio Ambiente e os governadores da Amazônia legal lançam Pacto pelo Ambientalismo de Resultado


Imagem ilustrativa

Tópico 01539

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e os governadores dos nove estados que integram a Amazônia Legal debateram na manhã desta quarta-feira (20) medidas para promover o desenvolvimento sustentável da região, além do combate aos crimes ambientais.

Os cinco principais eixos para do plano nacional de combate ao desmatamento ilegal:

1. Regularização fundiária

2. Zoneamento Ecológico-Econômico

3. Pagamento por serviços ambientais

4. Bioeconomia

5. Tolerância zero contra o desmatamento ilegal

Durante a coletiva concedida à imprensa após o encontro com os governadores, Salles defendeu o alinhamento permanente das ações do governo federal com as iniciativas estaduais e ressaltou a importância do esforço conjunto na busca pela utilização responsável e sustentável dos recursos naturais da região Amazônica.

Segundo ele, a soma de esforços passa ainda pela inclusão das populações locais, para que elas possam ter oportunidades de emprego e renda, e, assim, terem condições de colaborar com a preservação.

O ambientalismo de resultados pressupõe incluir para preservar. Essa questão tem direta relação com a vocação dos estados e com a ideia de inclusão para preservar – a inclusão das pessoas, das famílias e daqueles que vivem na região mais rica do país com o pior índice de desenvolvimento humano”, disse o ministro.

Já em relação ao zoneamento ecológico-econômico, o trabalho conjunto deve se concentrar em determinar as potencialidades e vocações de cada local, bem como promover o ordenamento territorial necessário à preservação e equilíbrio da região.

Também participaram do encontro deputados e senadores dos estados da região amazônica e outras autoridades, entre elas o presidente do Incra, e o secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia.


Confira;



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terça-feira, 19 de novembro de 2019

Cientistas apontam que seis biomas estão ameaçados pela ação humana


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 1538

Ao longo dos anos de 2018 e 2019, a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) – grupo de trabalho formado por mais de 80 cientistas de todo o país – lançou o 1º Diagnóstico Brasileiro para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos e também um conjunto de relatórios temáticos que abordam questões como mudanças climáticas, conservação da água, restauração de paisagens e polinização.

Com o objetivo de discutir as principais conclusões desses documentos com a comunidade acadêmica e a sociedade em geral, foi realizado em Campinas, no dia 4 de novembro, o encontro “Biodiversidade não é problema, é solução!”. O evento ocorreu no Centro de Convenções da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O momento político é extremamente oportuno para este debate. O Brasil teve de enfrentar este ano dois grandes problemas ambientais: a questão das queimadas – que era previsível e, portanto, evitável – e o derramamento de óleo, uma fatalidade que acaba de atingir a costa brasileira. Esses eventos mostraram como o país está despreparado para lidar com situações críticas rapidamente, de modo a mitigar os efeitos danosos ao ambiente”, disse Carlos Joly, membro da coordenação da BPBES e também do Programa BIOTA-FAPESP.

Por meio de uma revisão crítica da literatura científica e de outras formas de conhecimento, como o tradicional e o indígena, os autores do 1º Diagnóstico traçaram um panorama atual da biodiversidade brasileira e estabeleceram parâmetros para exploração econômica sustentável dos serviços ecossistêmicos.

O estudo apontou que os seis biomas do país – Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Pampas e Caatinga – estão ameaçados pela ação humana em maior ou menor grau. Projeções estabelecidas por modelagens climáticas indicam que, se o nível de depredação ambiental não for revertido, a temperatura poderá subir mais de 3º C até 2070. Essa mudança causaria graves prejuízos, como a subtração de até 9% da bacia amazônica e de até 35% da bacia do rio São Francisco.

Mais do que conscientizar sobre a importância da conservação das espécies e dos biomas, o 1º Diagnóstico visa informar que a manutenção dos serviços ecossistêmicos também é relevante para a economia e a cultura do país.

O valor agregado dos serviços ecossistêmicos e da biodiversidade das Américas equivale ao produto interno bruto de todas as Américas, sem considerar fatores que não podem ser monetizados, como o bem-estar humano. Desse modo, sua preservação é estratégica”, disse Cristiana Seixas, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp e supervisora científica do relatório.

Com o objetivo de circular a informação além das universidades e centros de pesquisa, a equipe da BPBES também produziu um sumário voltado aos tomadores de decisão e ao público em geral, que apresenta as discussões atuais de modo mais didático e acessível. Além de cientistas, os autores consultaram organizações não governamentais, o setor empresarial e as comunidades tradicionais, como povos indígenas e quilombolas. A elaboração do trabalho contou com a participação de 164 autores de diversos estados brasileiros.

Nosso objetivo era produzir um documento plural, com opções de governança e cenários decorrentes de ações que podem ser tomadas pelo poder público e privado. É um balizamento que fornece melhorias de gestão para questões ambientais”, disse Joly.


Como começou

Durante sua apresentação, Joly relembrou as origens da BPBES, criada oficialmente em fevereiro de 2017 com a missão de reunir o que há de melhor na produção científica nacional sobre biodiversidade e aliar essas informações com os saberes tradicionais – de modo a auxiliar os tomadores de decisão na elaboração e na implementação de ações voltadas à conservação e ao desenvolvimento sustentável. A FAPESP apoia a iniciativa no âmbito do Programa BIOTA-FAPESP.

A criação da BPBES foi um desdobramento de uma força-tarefa organizada no âmbito da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) para a elaboração de relatórios sobre o status da biodiversidade nas Américas.

Havia brasileiros trabalhando em todas as instâncias da IPBES, pois temos uma comunidade científica relevante estudando biodiversidade. Percebemos que existia massa crítica suficiente para fazer um relatório nacional, que pudesse servir como ferramenta para a comunidade brasileira”, contou Joly.

Maíra Padgurschi, secretária-executiva da BPBES, afirmou que os estudos relacionados aos serviços ecossistêmicos são recentes no Brasil. A primeira publicação a abordar o tema é de 2004. Desde 2010, a produção científica na área vem crescendo gradativamente.

Na avaliação da cientista, o grande desafio é aumentar o número de trabalhos voltados a medir os impactos dos serviços ecossistêmicos na qualidade de vida dos brasileiros. Outro problema apontado por Padgurschi é a concentração dos estudos em determinados biomas, como Mata Atlântica e Amazônia, em detrimento de outros, como Pantanal e Pampas.

Seixas focou em sua apresentação a importância da preservação dos serviços ecossistêmicos para o país e disse ser preciso ir além das Unidades de Conservação. “Há estudos mostrando que as terras indígenas podem até ser mais eficazes no controle do desmatamento ilegal e das queimadas, pois as Unidades de Conservação, principalmente na Amazônia, são áreas imensas e com déficit de funcionários para o monitoramento. A população indígena, por outro lado, consegue conter melhor focos de desmatamentos e de fogo”, disse.

A situação dos agentes polinizadores e sua relação com a produção de alimentos no Brasil foi o tema abordado por Kayna Agostini, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Segundo ela, 78% da polinização é realizada por abelhas no país, mas morcegos, aves e insetos também contribuem para a manutenção da biodiversidade e o melhoramento da qualidade dos alimentos.

Os serviços prestados pelos polinizadores têm um impacto relevante na economia, contribuindo com R$ 43 bilhões do PIB brasileiro em 2018, mas sofrem ameaças relacionadas às mudanças climáticas, espécies invasoras e ao uso exacerbado de agrotóxicos.

No Brasil não existe legislação específica para a conservação dos agentes polinizadores. O diagnóstico elaborado por nós está sendo usado para a discussão de projetos de lei que abordem a preservação dos polinizadores”, contou Agostini.

As possibilidades de aumentar a produção agropecuária sem o decréscimo da vegetação nativa foram apresentadas na palestra de Renato Crouzeilles, membro do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS). Para o especialista, é falsa a ideia que existe um antagonismo entre restauração e crescimento econômico.

A mensagem mais importante do relatório [temático sobre restauração de paisagens] é que não existe disputa entre restauração e o uso da terra para a agricultura e pastagem. O que precisa é de uma gestão integrada da paisagem. É necessário achar locais com maior aptidão para cada tipo de cultura e alocar a restauração nas áreas marginais, evitando a competição”, disse Crouzeilles.

O documento revelou que, além da importância biológica, a restauração é importante também em termos econômicos. “Cada mil hectares restaurados podem gerar até 200 empregos. Um hectare em pé da Amazônia rende até R$ 3.500 por ano em serviços ecossistêmicos. O Cerrado pode render até R$ 2.300. Valores superiores à soja, que rende, em média, R$ 1.200 por hectare”, exemplificou.

Vinícius Farjalla, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), detalhou a situação dos recursos hídricos. Apesar de o Brasil possuir cerca de 12% da água doce do planeta, a situação atual requer bastante atenção dos governantes.

Até 2030, o governo tinha o compromisso de levar saneamento para mais de 90% dos lares. Hoje, pouco mais da metade da população tem acesso a algum tratamento de esgoto”, disse Farjalla.

A escassez de água, segundo o pesquisador, também deve se acentuar se não forem adotadas medidas preventivas. “O Plano Nacional de Segurança Hídrica olha para o futuro e já entende que o Brasil terá um problema de segurança hídrica. Estima-se que, caso não haja um investimento em infraestrutura, faltará água para mais de 74 milhões de brasileiros até 2035”, ressaltou.

O levantamento feito no âmbito do Diagnóstico Brasileiro para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos indica que o Brasil tem uma série de planos e políticas públicas para o enfrentamento da situação, mas que o grande desafio é integrá-las.

A questão ambiental deve ser considerada em políticas das áreas de economia e desenvolvimento, pois a sustentabilidade deveria perpassar todo o planejamento econômico do país. “Temos uma série de políticas públicas que pouco conversam entre si e, em alguns casos, propõem ideias antagônicas. Em geral, as políticas públicas também não levam em consideração outros usos paras as águas, como a manutenção de serviços ecossistêmicos. Apenas focam no consumo humano”, disse Farjalla.



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quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Ministro Herman Benjamin assume a presidência da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça

Na foto o ilustre ministro Herman Beijamin

Tópico 01537

O ministro Herman Benjamin assumiu nesta terça-feira (12) a presidência da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O novo presidente, que sucede ao ministro Francisco Falcão, exercerá o cargo até novembro de 2021.

No início da sessão, ao saudar em nome do colegiado o novo condutor dos trabalhos, o ministro Og Fernandes citou uma frase da atriz Irene Ravache, segundo a qual "falar é tocar sonoramente as pessoas".

"Em nome da nossa turma, transmito o nosso abraço e, na mesma intensidade, nós saudamos e cumprimentamos o ministro Falcão pelo trabalho de coordenação desta turma", disse.

Herman Benjamin lembrou que esta é a segunda vez que assume a presidência do colegiado. Segundo ele, seu compromisso "é tentar ser tão eficiente quanto o ministro Falcão, que vai ficar como uma espécie de custos legis da eficiência da presidência".

No dia 7, em sua última sessão à frente do órgão julgador, Francisco Falcão agradeceu aos colegas e servidores pelo trabalho desenvolvido durante sua gestão, afirmando que "foi um privilégio presidir a Segunda Turma nos últimos dois anos".


Na foto o ilustre ministro Herman Benjamin, o mediador Marcelo Gil
e o saudoso professor dr. Vladimir Garcia Magalhães




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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Estudo de Pesquisadores de Ribeirão Preto e de São Carlos busca potencializar ação contra tumores de composto extraído de planta amazônica


Imagem meramente ilustrativa

Tópico 01536

Pesquisadores de Ribeirão Preto e de São Carlos desenvolveram formas modificadas de substâncias alcaloides produzidas pela planta amazônica unha-de-gato (Uncaria guianensis). Em sua versão natural, esses compostos ficaram conhecidos pela capacidade de combater tumores e inflamações, além de agir na modulação do sistema imune. O objetivo do grupo é obter uma estrutura química com ação terapêutica potencializada.

O trabalho teve apoio da FAPESP e foi publicado na Scientific Reports por grupos da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Os alcaloides são compostos orgânicos produzidos por plantas ou microrganismos e usados há muito tempo na medicina. Um exemplo é a morfina, extraída da flor da papoula (Papaver somniferum).

Estudos recentes mostram que pequenas modificações na estrutura química de determinados alcaloides potencializam o efeito terapêutico desses compostos. A fluorvimblastina, por exemplo, é o resultado da adição de flúor à estrutura química da vimblastina, um alcaloide natural produzido pela vinca (Catharanthus roseus). Pesquisadores dos Estados Unidos mostraram que a atividade antitumoral da fluorvimblastina é 30 vezes maior do que a do composto natural.

Quando comparamos a estrutura da vimblastina e a dos alcaloides da U. guianensis, vimos que eles têm vias biossintéticas muito semelhantes. Uma das modificações que fizemos, então, foi similar: substituímos um hidrogênio do anel aromático [pequena parte da estrutura da molécula] por um átomo de flúor”, explicou Adriana Aparecida Lopes, professora da Unidade de Biotecnologia da Unaerp e primeira autora do artigo.

O resultado foi um novo alcaloide, nomeado 6-fluoro-isomitrafilina, que tem três hidrogênios aromáticos e um flúor (em vez de quatro hidrogênios aromáticos do alcaloide natural). Outro análogo produzido teve a introdução de um grupo metila no lugar de um hidrogênio aromático e recebeu o nome 7-metil-isomitrafilina.

A pesquisa teve auxílio da FAPESP nas modalidades Apoio a Jovens Pesquisadores e São Paulo Researchers in International Collaboration (SPRINT).

A continuação do projeto acaba de ser selecionada em uma chamada conjunta da FAPESP, do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do European Research Council, e será realizada em colaboração com Sarah O’Connor, diretora do Instituto Max Planck de Ecologia Química, na Alemanha.


Plantas de laboratório

As modificações nos alcaloides foram feitas usando o próprio metabolismo da unha-de-gato. Plantas jovens (plântulas), de até 15 centímetros de altura, foram cultivadas no laboratório, em recipientes com água e nutrientes. Nesse meio líquido, foram adicionados os chamados precursores, que são intermediários-chave para a síntese de alcaloides naturais com pequenas modificações na sua estrutura.

Esse protocolo se chama biossíntese dirigida pelo precursor. Quem está fazendo a síntese é a própria planta. Eu dou um intermediário-chave análogo [precursor] para ela, que é captado e inserido em sua rota metabólica, formando um novo alcaloide. É uma abordagem de ‘química verde’, totalmente livre de solventes, reagentes e que faz uso de um sistema in vitro de plântulas”, explicou a pesquisadora.

As plantas foram cultivadas por 30 dias e seu extrato submetido a diferentes tipos de análise por cromatografia líquida associada à espectrometria de massa, a fim de identificar as substâncias presentes. A partir dessa caracterização, o material foi submetido a processos químicos para isolar os compostos análogos presentes no extrato.

Os dois novos alcaloides produzidos, modificados com flúor e metila, foram submetidos ainda a ressonância magnética nuclear, para confirmação de suas estruturas químicas.

Esse procedimento permitiu a obtenção de aproximadamente um a dois miligramas do novo alcaloide fluorado, que deve ser o foco dos próximos estudos do grupo. O objetivo é aumentar essa produção e, para isso, será preciso silenciar na planta a produção dos alcaloides naturais. A ideia é que a unha-de-gato produza, no laboratório, apenas a versão fluorada.

Para isso, uma enzima presente no metabolismo da unha-de-gato chamada TDC, que transforma o aminoácido triptofano em triptamina, deve ser silenciada. Dessa forma, a planta vai deixar de ter triptamina natural e produzirá apenas a versão modificada”, explicou Lopes.

A ideia é aplicar a biossíntese dirigida pelo precursor em U. guianensis e obter novos compostos com potenciais efeitos terapêuticos, mais eficazes do que aqueles produzidos naturalmente pela planta.


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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

A Tabela Periódica completa 150 anos de criação em 2019


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Tópico 01535

A Tabela Periódica (TP), mais importante referência sobre os elementos químicos, completa 150 anos de criação em 2019. Em comemoração ao aniversário, a Comissão Técnica de Divulgação do CRQ-IV desenvolveu esta página especial da seção QuímicaViva, que reunirá artigos escritos por colaboradores sobre alguns dos 118 elementos componentes da TP.

Criada pelo russo Dmitri Ivanovich Mendeleev (1834-1907) em 1869, a Tabela Periódica foi elaborada com os 63 elementos conhecidos até então e que, inicialmente, foram organizados por ordem crescente de suas massas atômicas. A seguir, ele os dispôs em colunas horizontais e verticais, respeitando as características e semelhanças dos elementos.

A tabela se chama “periódica” porque mostra a repetição de propriedades físicas e químicas que alguns elementos têm em comum. Espaços vazios foram reservados para a descoberta de novos elementos, o que permitiu a ampliação do número de integrantes para os atuais 118 ao longo do tempo.


Ano Internacional

A 72ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em dezembro de 2017, proclamou 2019 como o Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos. A celebração envolve a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), sociedades científicas, institutos de educação e pesquisa, organizações não governamentais e setor privado na promoção de eventos que ressaltam a importância da Tabela Periódica e suas aplicações, como o 47º Congresso Mundial de Química, promovido em Paris (França) de 5 a 12 de julho de 2019.


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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Nanopartículas são modificadas para combater câncer, vírus e bactérias de modo seletivo


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Tópico 1534

Um grupo do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) liderado por Mateus Borba Cardoso vem trabalhando, com apoio da FAPESP, no aperfeiçoamento de nanopartículas para serem usadas no tratamento de tumores, infecções e inflamações. A proposta é levar fármacos em doses ideais diretamente às células doentes, evitando danos desnecessários ao organismo.

Para que esse objetivo se torne viável, porém, dois obstáculos precisam ser superados. O primeiro é evitar que proteínas grudem na superfície das nanopartículas quando elas entram em contato com o sangue do paciente, formando estruturas conhecidas como coroas. Como explicou Cardoso, o risco nesse caso seria a coroa de proteínas de uma partícula se unir à de outras, criando um efeito em rede que reduz a capacidade de ação das nanopartículas e que pode levar ao entupimento de vasos. O segundo desafio é garantir a estabilidade das nanoestruturas em fluidos como o plasma sanguíneo.

Novas estratégias para solucionar esses problemas foram descritas pelo grupo do CNPEM em artigos publicados recentemente nos periódicos ACS Applied Materials Interfaces e Journal of Colloid and Interface Science – sendo que este último dedicou um destaque de capa ao trabalho.

Os dois artigos descrevem a ação de partículas com funcionalizações duplas, ou seja, que tiveram a superfície modificada para, ao mesmo tempo, evitar a formação da coroa de proteínas e garantir a estabilidade coloidal no fluído sanguíneo.

Agora que sabemos sobre a possibilidade de trabalhar com estruturas duplamente funcionalizadas, conseguimos identificar a proporção entre os diferentes grupos químicos que favorecem a estabilidade das nanopartículas e evitam a toxicidade e a formação da coroa de proteínas”, disse Cardoso à Agência FAPESP.

No trabalho intitulado "Dual Functionalization of Nanoparticles for Generating Corona-Free and Noncytotoxic Silica Nanoparticles", publicado pelo ACS Applied Materials Interfaces, o grupo descreve a busca pela proporção ideal de dois grupos químicos usados na dupla funcionalização: o zwitteriônico e o amino.

 “O grupo zwitteriônico é formado por estruturas que apresentam cargas positivas e negativas que se neutralizam [ficando, consequentemente, com uma carga quase neutra]. São essas estruturas que impedem a formação de coroa e que mantém a estabilidade coloidal do sistema. Já o grupo amino serve, potencialmente, para ancorar anticorpos que direcionam as partículas às células de interesse, mas é sabido que ele induz a formação de coroa, desestabiliza as partículas e tem toxicidade considerável. Buscamos, então, identificar a proporção ideal entre esses dois componentes”, contou Cardoso.

O experimento foi realizado inicialmente em células de mamífero (fibroplastos de camundongos). Em seguida, foram feitos ensaios de hemólise com sangue humano fornecido pelo Hemocentro da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp).

Nesse caso, o objetivo foi avaliar se as partículas induziam o rompimento dos glóbulos vermelhos do sangue, o que as tornaria contraindicadas para uso terapêutico”, explicou o pesquisador.

Os resultados mostraram que nanopartículas contendo uma fração significativa de zwiteriônicos na superfície não induzem a hemólise e são potencialmente seguras para administração intravenosa”, acrescentou.

O segundo estudo, Shielding and stealth effects of zwitterion moieties in double-functionalized silica nanoparticles, divulgado no Journal of Colloid and Interface Science, descreve o uso de estruturas zwiteriônicas na retenção de compostos formadores de coroa.

Essa camada zwiteriônica forma uma espécie de membrana de água ao redor da nanopartícula, fazendo com que ela não seja identificada pelos mecanismos de defesa do organismo”, explicou Cardoso.

Segundo o pesquisador, algumas das proteínas que tendem a grudar na superfície das partículas quando elas entram em contato com o sangue atuam como sinalizadoras do sistema imune, atraindo ao local células de defesa, como os macrófagos, que tentam eliminar aquele corpo estranho.

Evitar a formação da coroa de proteínas, portanto, é fundamental para a partícula passar despercebida pelos mecanismos de defesa do organismo. Estamos buscando obter essas partículas ‘invisíveis’. Mas, será que sendo ‘invisíveis’ elas conseguem interagir com alguma estrutura biológica?”, indagou Cardoso.

Para solucionar a dúvida, foram feitos experimentos de funcionalização dupla contendo grupos zwiteriônicos e um outro grupo de atividade biológica – chamado pelos pesquisadores de BAGs (grupos biologicamente ativos, na sigla em inglês).

Testamos as propriedades hemolíticas [risco de causar hemólise], a capacidade de formação de coroa e se as nanopartículas ‘invisíveis’ seriam capazes de interagir com diferentes estruturas biológicas”, explicou Cardoso.

O efeito foi avaliado in vitro em culturas de células de mamíferos, de bactérias da espécie escherichia coli e de vírus zika. Os resultados mostraram que, ao mesmo tempo em que mantém escondidos os compostos formadores de coroa, a membrana de água também não permite que as nanopartículas interajam com células de animais, vírus ou bactérias – bloqueando, portanto, qualquer ação terapêutica.

O próximo passo para tentar solucionar o impasse, segundo Cardoso, será fazer com que os grupos biologicamente ativos saiam dessa camada de hidratação para que possam ser reconhecidos de maneira seletiva.

Tentaremos inserir os BAGs ou outras estruturas com atividade biológica comprovada para fora do domínio dos zwiteriônicos e, para isso, o grupo amino será essencial”, disse.


Avanço da nanomedicina

Pesquisada desde o início da década de 1980, a nanomedicina é baseada na inserção de medicamentos em nanopartículas – elementos capazes de transportar fármacos pela corrente sanguínea –, que podem ser formadas por conjugados de proteínas, estruturas lipídicas sólidas e outras substâncias. A estrutura mais usada pela indústria farmacêutica ainda é a composta por lipossoma, um tipo de membrana muito parecido com as que envolvem as células do corpo humano.

As nanopartículas, em geral, conseguem aumentar o tempo de trânsito de um medicamento no organismo de seis para oito ou até doze horas, dependendo do fármaco e da nanopartícula, o que pode trazer melhores resultados aos tratamentos”, disse Cardoso.

Apesar de não apresentarem toxicidade ao organismo, os lipossomas não são capazes de transportar medicamentos até pontos específicos, causando efeitos colaterais indesejados, como a queda de cabelo no caso dos tratamentos de câncer, por exemplo.

As nanopartículas desenvolvidas pelos pesquisadores do CNPEM são dotadas de estruturas rígidas, diferentes dos lipossomas. Compostas por uma camada nuclear formada principalmente por sílica, elas apresentam uma estratégia diferente, pois abrigam um núcleo revestido com grupos químicos que reagem apenas em locais específicos, passando a atuar de modo seletivo. “É como se fosse uma bola de tênis em que o centro é composto pela sílica e, o tecido que a reveste, pelas funcionalizações”, explicou Cardoso.

O grupo do CNPEM já vinha demonstrando a viabilidade dessa estratégia para o tratamento do câncer, com o transporte de compostos quimioterápicos apenas às células tumorais, evitando a interação com as células sadias. Também se mostrou eficiente na inativação do vírus HIV in vitro.


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